segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Espelhados ou polidos?



Numa época em que o chamado centro histórico do burgo é revitalizado com grandes obras de conservação e recuperação, apostando cada projecto em manter a identidade do local, respeitando a sua alma mas, ao mesmo tempo, introduzindo novos conceitos de modernismo espelhados pela opção certa na escolha de materiais e de mobiliário urbano, a tesoura de atarracar não pode deixar de se indignar com outras obras que a edilidade leva a cabo, no mesmo centro histórico mas, desrespeitando tudo o que a envolve.


O largo do município. Andaram obras durante uns bons meses no rés-do-chão daquele edifício de frente, onde estava a caixa de multibanco. Ao que parece, está pronto. A tesoura de atarracar pergunta: quem foi o autor daquele projecto de recuperação? Quem foi o técnico que terá acompanhado a obra?


É, no mínimo, questionável. Porque é que num largo onde todas as portas são em madeira, pintadas na cor verde-garrafa-escuro, a deste edifício é numa cor verde escura brilhante e com grades?


Para além disso, o autor deste projecto de recuperação aplicou nesta intervenção o conceito do voyeurismo: ver sem ser visto. Todos os vidros das janelas são… espantem-se…espelhados!


Convém lembrar que Sesimbra e o seu núcleo histórico, pelo seu valor cultural, pela sua identidade e autenticidade, merecem que o seu património imóvel seja valorizado.


Pelo que se tem observado das obras que já se conhecem, nas zonas antigas e de valor histórico da vila, as intervenções urbanísticas têm-se preocupado em recuperar um determinado valor patrimonial e tentam reabilitar vivências sociais e memórias culturais das respectivas áreas.


É bom que todos estejam atentos e não venham a pôr em causa uma possível classificação do “conjunto histórico da vila de Sesimbra” como de “interesse público” e/ou de “interesse municipal”.


A tesoura de atarracar anseia pelas obras que se irão desenvolver no largo do município e na rua da república. Pode ser que esse projecto venha a sanar este erro grosseiro que desvirtualiza o largo, desrespeitando um edifício que está classificado como património municipal.



domingo, 14 de setembro de 2008

A capital rasca do campo


Descentralizando mais uma vez as atenções pexitas do burgo, a tesoura de atarracar decide centrar as atenções naquilo que não se faz fora deste.

Durante as últimas décadas ouve-se falar de um tal plano que vai resolver muitos dos caos existentes na “capital do campo”…

Ouve-se falar do plano mas, existe? Está a ser feito? Falta muito? É que o caos continua. As obras continuam a crescer. Os loteamentos e as urbanizações também. Será que esse tal plano vai servir para alguma coisa? Ou é apenas mais um, onde se gastou uns milhares e que, depois de publicado, de nada serve?

Senão vejamos:
A “capital do campo” é o local por onde tudo passa. Passam todos os que vêm de Paris ou de Londres, de Barcelona ou de Berlim, de Lisboa ou de Setúbal, do Meco ou de Alfarim, da Maçã ou das Pedreiras. É inevitável. Todos os que por um motivo ou por outro queiram entrar no burgo passam por lá.

O cenário urbano é único no planeta:
Vindo da Cotovia, apanhamos uma rotunda que ninguém percebe para que é que serve, o “prédio do cachão” cheio de lixos nas varandas, o “prédio do teodoro alho” com o “ângelus” apertado naquele canto de um pseudo-estacionamento com entrada directa na rotunda, mais à frente o velhinho prédio do dr. Tocatins que nos faz entrar numa curva apertada, de caras com um resto de casa que ficou ali pendurada depois das obras do “ prédio do Titanic”, e que o “Pedro Filipe” diz que se vende…

Em frente, o antigo dispensário, onde as crianças do campo eram vacinadas em tempos que já lá vão, completamente abandonado. Depois temos a “escola dos ratos” transformada em sede de uma empresa de construção e o “Avelino”, que vai resistindo ao progresso, com as suas bicicletas e os seus remendos.

Se viermos da Maçã, depois da rotunda dos espadartes, ainda apanhamos com um “nobre escolha” abandonado, cheio de lixos e um acesso sujo às traseiras do “prédio do teodoro alho”. Um cenário idílico… Chegamos à rotunda e levamos com o mesmo cenário de quem vem da Cotovia…

Mas se viermos do Meco, podemos sempre fugir da “capital do campo” pela estrada da igreja da Corredoura… mas se viermos em frente… é melhor fecharmos os olhos no percurso entre a “casa do campo” e o antigo “charuto”. Senão registaremos algo que não mais vamos esquecer: prédios novos que parecem velhos, desprovidos de qualquer tipo de sensibilidade arquitectónica, casas rurais antigas entaladas entre o “progresso”, carros por todo o lado, pessoas como baratas tontas a ziguezaguear entre carros e mais carros e mais carros, casas antigas fora dos “alinhamentos”, casas novas a criar dentes de passeios contra muros antigos, grandes varandas sobre a estrada, a confusão dos correios e de todo o comércio ali existente, … Finalmente, chegamos à bicha do semáforo!

Enquanto esperamos, estamos no meio de um enorme cruzamento para a Almoinha, uma praça de táxis, uma residencial, o “Zé barbeiro” e uma varanda que nos alegra a vista com a sua branca de neve e os sete anões. Do outro lado da estrada, um muro velho, um passeio mínimo, uma cabine telefónica…

Se viermos do burgo, podemos sempre desviar pelo "forno da cal" e sair ali, apertadinhos e perigosamente no cruzamento para a Quintola. Senão, seguimos em frente, apanhamos a “flecte”, a farmácia e a desorganização do estacionamento e daquele acesso em terra batida ao “Florentino”. Podemos sempre olhar para o outro lado, e ver a horta daquela casinha entalada entre as escadas que nos levam ao antigo “charuto” e uma florista… Finalmente, chegamos ao semáforo.

O percurso entre semáforos e a rotunda é comum a todos os que passam, venham donde vierem. É também neste percurso que se encontram cenários difíceis de descrever:

Um cruzamento da Quintola que sai directamente e sem visibilidade para uma faixa de rodagem que ganha, naquele momento, duas vias no mesmo sentido, interrompidas por uma paragem de autocarros, apertada contra um muro e um passeio minúsculo.
Um jardim tapado por um quiosque e em muitos dias, por um jipe que ali estaciona.
Do outro lado, uma paragem de autocarros desordenada, plantada no meio da via, um passeio gigante sem limites, carros estacionados, muitas pessoas, muitos camiões e um cruzamento de quem vem do “forno da cal” que sai em cima de uma passadeira perigosíssima, em frente à loja de fotocópias. Ainda há espaço para um café…

O que falta fazer na “capital do campo”? Poderá um plano alterar este ambiente degradante de péssima qualidade urbana e arquitectónica?

Como grande exemplo novo, daquilo que é possível fazer, temos o “prédio do Titanic”. Mais uma grande obra de um engenheiro deste concelho e de um proprietário sedento de realizar dinheiro através da especulação imobiliária. O que se vê, é uma chaminé pendurada no meio de uma calçada gigante, rodeada por hipotéticos espaços comerciais e apartamentos vazios, à espera que alguém os compre…

Houve melhoria no espaço público? Não.
Contribuíram de alguma maneira para melhorar o acesso à “capital do campo”? Não.
Tentou a Câmara “obrigar” o proprietário e o engenheiro a encontrar soluções que resolvessem o remate com o prédio do dr. Tocatins? Não.
Alguém pensou num espaço público nobre, onde pudessem, por exemplo, ser instaladas as paragens de autocarros? Não.

E o que dizer da estrada sem saída, criada ao lado da antiga “escola dos ratos”, e do perigoso entroncamento desta com a estrada nacional?

A tesoura de atarracar sugere a todos os que anseiam por um lugar nas listas dos partidos, que insiram no seu programa eleitoral, objectivos e soluções para resolver este caos urbano, que faz com que Santana seja considerada a “capital rasca do campo”.

Comprem as casas velhas devolutas e que estão à venda e, deitem-nas abaixo. Obriguem os proprietários a pintar e a reabilitar os prédios, há lei para isso. Obriguem os grandes “investidores” a contribuir para a melhoria do espaço público. Façam uma grande rotunda no lugar dos semáforos, que resolva o entroncamento da Almoinha, de quem vem de Sesimbra e de quem vem da Cotovia.

Ou então, apresentem o tal plano…e esperemos que o mesmo tenha qualidade urbana e já agora, que seja exequível…

A tesoura de atarracar sugere ainda a todos os interessados, que visitem www.escritaleitura.blogspot.com, para que saibam o que as nossas crianças de 11 e 12 anos pensam sobre o futuro de Sesimbra…


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Na idade dos porquês...

A tesoura de atarracar decide lançar o desafio, a quem souber…


- Porque é que não existem passeios ao longo das estradas do concelho?

- Porque é que os loteamentos da Estrada da Assenta, em direcção à GNR, não ofereceram um espaço verde com um equipamento desportivo ou infantil, para utilização pública?

- Porque é que as pessoas roubam os saquinhos de plástico que servem para apanhar os dejectos dos cães?

- Porque é que a grande maioria das pessoas que passeia cães, não apanham os cagalhões?

- Porque é que os/as empregados/as das lojas se dirigem a nós, como se tivéssemos andado na escola com eles, com frases do tipo “o que é que queres”?

- Porque é que os pexitos tratam toda a gente por tu?

- Porque é que as pessoas do burgo, andam no meio da estrada?

- Porque é que os carros param no meio da estrada para falar a quem passa, perguntar pelo tempo, pela família, … e nenhum dos carros que fica atrás, à espera, buzina?

- Porque é que há cargas e descargas a toda a hora e em todo o lado?

- Porque é que as esplanadas ocupam sempre mais espaço do que deviam?

- Porque é que nos vendem carapaus mouros misturados com os nossos?

- Porque é que vendem selongos como se fossem imperadores?

- Porque é que na praça, não se compra peixe de jeito?

- Porque é que só existe uma peixaria no burgo, onde o peixe é fresco e bom?

- Porque é que vendem camarão tigre e dizem que são carabineiros?

- Porque é que não se consegue beber uma imperial com tremoços?

- Porque é que à excepção do Bar do Peixe, os apoios de praia são barracas?

- Porque é que a praia do moinho de baixo tem um acesso quinto-mundista com estacionamentos em terrenos agrícolas?

- Porque é que não são demolidas aquelas construções na serra, depois dos Casais da Azóia, a caminho do Cabo?

- Porque é que nos tratam como turistas analfabetos que não sabem a diferença entre um carapau e uma sardinha?

- Porque é que “os da terra” não estacionam no parque de estacionamento do Mar da Califórnia?

- Porque é que “os da terra” estacionam nos parquímetros mas não pagam?

- Porque é que a policia não multa?

- Porque é que não existem bloqueadores?

- Porque é que não há transportes públicos com mais frequência na época de verão, para as praias do Meco e da Lagoa?

- Porque é que toda a gente reclama e diz mal de tudo?

- Porque é que as lojas do Mar da Califórnia continuam fechadas?

- Porque é que não se conseguem comprar cd’s e dvd’s em Sesimbra?

- Porque é que não existem restaurantes onde a especialidade seja carnes grelhadas?

- Porque é que não existem petiscos tipo “pica-pau”, “pezinhos de coentrada”, “pipis”, “moelas” ou “pataniscas”?

- Porque é que nunca há um táxi na praça de táxis e, quando precisamos de um, temos que ligar para o número pessoal e privado do taxista?

- Porque é que não lavam as ruas de agulheta, com água e desinfectante?

- Porque é que não trocam as pedras de calçada polidas e gastas?

- Porque é que não existe um polidesportivo público, onde não seja preciso pagar e/ou reservar?

- Porque é que os balizadores são todos tão diferentes uns dos outros?

- Porque é que não existe iluminação pública no troço de estrada entre a curva da barquinha e as primeiras casas, à esquerda de quem desce, na EM 572?

- Porque é que os autocarros não têm paragens fora da faixa de rodagem?

- Porque é que nas obras do Cabo, não ordenaram o estacionamento e as roulottes de bifanas?

- Porque é que os grandes mecenas deste concelho, não contribuem para o melhoramento do espaço púbico?

- Porque é que a Câmara cobra, aos velhotes que vivem sozinhos nas suas casinhas do burgo, por exemplo, 1€ de água e 6€ de tarifa de drenagem, recolha de resíduos sólidos e quota de serviço?

- Porque é que as obras de saneamento da freguesia do Castelo não incluíram o esgoto pluvial?

- Porque é que as comissões de festas do resto do concelho, não fazem peditórios no burgo?

- Porque é que os assadores do burgo lavam o peixe e deitam as escamas e as tripas para dentro dos sumidouros do esgoto pluvial?

- Porque é que as caravanas dos partidos políticos nunca passam no Parral?

- Porque é que os cartazes das campanhas eleitorais, perduram muito para lá do acto eleitoral?

- Porque é que o porto de abrigo pertence à freguesia do Castelo?

- Porque é que a Praia do Ribeiro de Cavalo não tem um acesso digno, por terra?

- Porque é que na praia da Califórnia, quando a maré enche, as duas primeiras filas de toldos vermelhos ficam dentro de água?

- Porque é que se temos uma “feira do livro” não temos uma livraria?

- Porque é que a escola C+S de Santana é na Maçã?

- Porque é que as obras na Mata de Sesimbra ainda não começaram?

- Porque é que ainda não conhecemos os planos de Santana e do Meco?

- Porque é que as antenas de telemóveis do “campo”, não estão disfarçadas de árvore?

- Porque é que no burgo, não deixam que as casa sejam pintadas de outra cor, que não branco?

- Porque é que nas obras da marginal e do Largo Bombaldes, não foi previsto um espaço para a realização de espectáculos que acabasse com aquelas estruturas de ferro e tapumes de obra, que a Câmara monta nos locais mais inesperados?

- Porque é que a rotunda de Alfarim não tem uma escultura?

- Porque é que a praia da foz não tem um apoio de praia?

- Porque é que no Meco, durante a semana, os estabelecimentos comerciais estão fechados?

- Porque é que 90% das estradas do Concelho, têm buracos?

- Porque é que só foi alcatroado o troço de via entre o fim das Caixas e o inicio de Alfarim?

- Porque é que não fizeram os passeios?

- Porque é que no Meco, os muitos condomínios e loteamentos, não ofereceram nada ao espaço público, onde a população pudesse passear com os filhos e utilizar um equipamento infantil ou desportivo?

- Porque é que as novas instalações da GNR foram erigidas numa ribeira?

- Porque é que aquele grande loteamento do Pé da Serra não construiu nenhum espaço verde público?

- Porque é que quase não existem ecopontos e os que existem, são mal cheirosos?

- Porque é que não há um horário para cargas e descargas?

- Porque é que os funcionários dos bancos se vestem de “betinhos”, (e ficam com aqueles ares desconfortáveis), quando são “surfistas”?

- Porque é que nas lojas do chinês há sempre alguém que liberta flatos?

- Porque é que nos chamados loteamentos/edifícios “de qualidade” do burgo, não foram previstos espaços de lazer/estar para a população mais idosa, que assim ficam confinados aos bancos do jardim e do Largo da Marinha?

- Porque é que os flutuantes quando compram terrenos no campo, dizem maravilhas e sentem-se maravilhados e, quando constroem as casas, sentem-se incomodados pelos hábitos rurais dos vizinhos?

- Porque é que não alcatroaram o pequeno troço de ligação entre o Pinhal do Cabedal e a Carrasqueira, e que serve de “alternativa para a Ponte 25 de Abril”?

- Porque é que nos muitos loteamentos que foram e/ou estão a ser construídos na Charneca da Cotovia, em direcção ao Valbom, não existem espaços verdes públicos?

- Porque é que tirando a praia, a marginal e a Quinta do Conde, a população do Concelho não tem espaços públicos onde possa andar, correr, passear os filhos, brincar, estar, …?

- Porque é que por outro lado, no Jardim de Santana, nunca está ninguém?

- Porque é que?


segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Vírus


Durante os últimos 30 anos, Sesimbra tem conseguido resistir às pragas que existem nos concelhos limítrofes. A tesoura de atarracar refere-se concretamente aos “vírus” que tornam a estrada de Fernão Ferro única no distrito.

Talvez pela proximidade, apenas a zona clandestina do Casal do Sapo e pontualmente, na área da Quinta do Conde, uma destas pragas conseguiu instalar-se com algum sucesso.

Se até agora, Sesimbra resistia, como se na rotunda do Marco do Grilo existisse uma barreira invisível de antídoto para estas pragas, é em pleno século XXI, que um dos “vírus” (a que a tesoura de atarracar chamou Vírus I) começa a tentar instalar-se pela freguesia do Castelo…

A tesoura de atarracar alerta a quem de direito, que trave o Vírus I, não deixando que as nossas aldeias e núcleos urbanos sejam transformados em pseudo-stands de venda de automóveis usados.

É que esta imagem terceiro-mundista, de terrenos à beira das estradas, onde são depositados carros para todos os gostos, feitios e carteiras, cobertos por estruturas em ferro e lonas, para “proteger” os carros de eventuais constipações, em nada dignifica Sesimbra nem o tal “turismo de qualidade”.

Para já não falar do perigo que constituem estas intersecções às estradas com grande tráfego automóvel, provocando situações com elevados riscos de acidentes.

São pelo menos seis, as estruturas já montadas e em funcionamento:
- O pseudo-stand em frente às bombas de gasolina de Alfarim, na estrada a caminho da Lagoa de Albufeira.
- O pseudo-stand em Santana, antes da igreja da Corredoura.
- O pseudo-stand das bombas de gasolina da Venda Nova.
- O pseudo-stand no gaveto em frente à escola de Alfarim.
- O pseudo-stand na estrada do Zambujal.
- O pseudo-stand na estrada das Caixas.

Para quando a existência de um parque industrial que possibilite a implantação deste tipo de comércio?

Ou porque é que estes vendedores de carros, à semelhança de outros comerciantes, não adquirirem uma das muitas lojas, dos muitos edifícios que foram construídos na última década (e que continuam em venda), e implementam um stand automóvel em condições, digno do século XXI?

Não tem este tipo de actividade, uma autorização ou um licenciamento de alguém?

Querem trazer Fernão Ferro para Sesimbra?

Então esperemos pelo Vírus II.

Não faltará muito para que Sesimbra tenha lotes com piscinas de fibra, na vertical, iluminadas por projectores, penduradas sobre as estradas e sobre os lotes vizinhos, à espera duma rabanada de vento que as coloquem na posição certa…

Aguardemos…


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pessoal do meu bairro... venham cá abaixo...

Quem anda pela blogosfera pexita e não conhece Sesimbra, pensa: “Aquilo deve ser o faroeste… é só pancadaria, facadas, tiros, droga…”.

Apesar da má imagem que muitos pexitos tentam passar da sua terra, (e que só lhes fica mal), a tesoura de atarracar, porque não pertence ao mundo “underground” que pelos vistos existe no burgo, decide iniciar um conjunto de "post's" sobre aquilo que Sesimbra tem de bom e que se recomenda a todos os cidadãos normais (flutuantes e/ou habitantes) que só querem ter umas férias descansadas com a família e desfrutar das coisas boas da vida.

A tesoura de atarracar começa por dizer em primeiro lugar que, Sesimbra é igual a qualquer outro núcleo urbano. Há gente de bem e gente menos bem.

Tem uma grande vantagem em relação a muitos outros destinos de férias: é seguro. As crianças podem andar à vontade, o mar não é perigoso, as pessoas são prestáveis, a comida é boa, os restaurantes são bons, a vista é bonita, tem praia, tem campo, tem serra, tem actividades culturais, … e se pernoitar no burgo, durante os dias que cá estiver, pode divertir-se sem ter que pegar no carro e ir, por exemplo, comprar pão ou, beber um café ou, ir para a praia (como acontece em muitos dos destinos turísticos deste país e, em muitos destinos paradisíacos do mundo).

Apesar do que se escreve, Sesimbra não tem terroristas nem extremistas nem grupos organizados de malfeitores.

Sesimbra tem, como qualquer outra vila ou cidade, alguns bares abertos até mais tarde, onde muita gente bebe e muito… depois há os que têm bons vinhos e os que têm maus vinhos… há os “da terra” e os “de fora”… há as discussões, os empurrões, a pancadaria, … and so on, and so on, and so on… E sim, como qualquer outro núcleo urbano, também temos alguns drogados e alguns que a vendem…

Para nós, cidadãos normais, que trabalhamos durante o ano inteiro, o que é importante é o ambiente urbano do sítio. E porque somos normais, acordamos cedo, vamos para a praia, curtimos o sol, almoçamos, jantamos e também bebemos uns copitos. Mas porque o que queremos é estar sossegados, às 4 da manhã já estamos na cama e, perdemos a pancadaria…

Deixamos essa parte da animação para aqueles que acordam às 2 da tarde, vestem o calção, dão um mergulho, discutem com as mães ou com as mulheres, mandam piropos às miúdas com idades entre os 10 e os 15 anos, bebem umas imperiais durante toda a tarde, vão a casa tomar um banhinho e vestirem uma roupinha perfumada, dizem às mulheres ou às mães que não jantam, e depois, armados em “pessoal da terra”, vão ver como é que “param as modas” e se estão cá “os de fora”.

No dia seguinte, o nosso programa repete-se. Não se ouve nada nas ruas sobre o que terá acontecido na noite anterior… Continuamos de férias, num sítio incrível, a 40 minutos da capital.

Para o “pessoal da terra”, o tempo é de ligar o computador e lançar apelos para que se corra com “os de fora”. E claro, atribuir responsabilidades à edilidade e às forças de segurança.

Já agora, e aproveitando o mote, a tesoura de atarracar pergunta:
- Quando é que a Câmara e a Junta de Freguesia disponibilizam por todo o “pessoal da terra” e pelos “de fora”, algálias de borla e sacos herméticos?
- Quando é que estes nossos políticos acabam com este flagelo social de falta de civismo e respeito pelos outros?

É que promover um “turismo de qualidade” numa praia onde o sexo feminino se esquece dos pensos higiénicos e tampões usados, onde os casais se esquecem das fraldas cheias da matéria prima libertada pelos seus rebentos, e onde qualquer exemplar do sexo masculino encontra os sítios mais improváveis para abrir a braguilha e despejar a bexiga, não lembra a ninguém!

domingo, 17 de agosto de 2008

O resultado


Foi publicado no dia 31 de Julho de 2008 em Diário da República, 2ª. Série - Nº. 17 - Parte H - Autarquias Locais, o "Regulamento de Taxas e Cedências Relativas à Administração Urbanística" e está em vigor desde 15 de Agosto de 2008.


Ao que a tesoura de atarracar apurou, não se verificaram grandes alterações, depois do período de discussão pública sobre o então “projecto”.


Apenas se verificam alterações no “factor multiplicativo” da Zona 3, sobre as áreas não cedidas, que passa de 1,1 para 1,3. Verifica-se também o desdobramento do artigo relativo aos Destaques, em 3 pontos, que estabelecem diferentes valores para diferentes situações.


As grandes alterações e reduções face ao então “projecto” em discussão são no artigo relativo às tais áreas urbanas de génese ilegal...


Não podemos esquecer que os clandestinos de hoje serão os pioneiros de amanhã.



domingo, 3 de agosto de 2008

A Feira


Pelo quinto ano consecutivo, a tesoura de atarracar visitou a feira do livro de Sesimbra. Iniciativas destas são sempre de louvar.


É bom ver muita gente da terra, de todas as faixas etárias, sociais, culturais e outras coisas tais, a deambular por entre livros, a ler, e até, a comprar.


No entanto, a tesoura de atarracar sugere aos organizadores algumas medidas que considera importantes:


Não misturem autores portugueses com autores estrangeiros.


Não misturem romances de cordel com grandes clássicos da literatura mundial.


Não coloquem na mesma correnteza, livros para crianças da pré-primária e ao lado, livros com novas posições do kamasutra e livros sobre o que é que os homens e as mulheres gostam nas suas vidas privadas e mais íntimas. Não é que as criancinhas não saibam ou não venham a saber o que é o maior prazer do universo mas, convenhamos que não é apropriado.


Criem uma secção só para as crianças, onde o barulho dos livros com sons de gatos e cães, não destabilize os utentes do resto do espaço.


Depois, a falta de luz e de ar puro torna o espaço claustrofóbico, especialmente porque, e ainda bem, enche.


Porque enche, deviam colocar mais uma caixa para pagamento. É que as filas (ou bichas, como queiram) tornam-se gigantescas e a confusão é tal que não se percebe quem está para pagar e quem está a tentar ver os livros expostos.


Por fim, é pena que a Câmara ainda não tenha pensado em conceber “quiosques efémeros”, que albergassem estas iniciativas pontuais e temporais.


Esta Feira do Livro, dentro de um monumento que marca a vila, precisar de uma tenda tipo “casamento”, com janelinhas envidraçadas e tudo, presa, por causa dos ventos, com uns monos de betão disfarçados com uns vasos de arbustos, convenhamos que em nada dignifica Sesimbra e o tal “turismo de qualidade”.