domingo, 17 de agosto de 2008

O resultado


Foi publicado no dia 31 de Julho de 2008 em Diário da República, 2ª. Série - Nº. 17 - Parte H - Autarquias Locais, o "Regulamento de Taxas e Cedências Relativas à Administração Urbanística" e está em vigor desde 15 de Agosto de 2008.


Ao que a tesoura de atarracar apurou, não se verificaram grandes alterações, depois do período de discussão pública sobre o então “projecto”.


Apenas se verificam alterações no “factor multiplicativo” da Zona 3, sobre as áreas não cedidas, que passa de 1,1 para 1,3. Verifica-se também o desdobramento do artigo relativo aos Destaques, em 3 pontos, que estabelecem diferentes valores para diferentes situações.


As grandes alterações e reduções face ao então “projecto” em discussão são no artigo relativo às tais áreas urbanas de génese ilegal...


Não podemos esquecer que os clandestinos de hoje serão os pioneiros de amanhã.



domingo, 3 de agosto de 2008

A Feira


Pelo quinto ano consecutivo, a tesoura de atarracar visitou a feira do livro de Sesimbra. Iniciativas destas são sempre de louvar.


É bom ver muita gente da terra, de todas as faixas etárias, sociais, culturais e outras coisas tais, a deambular por entre livros, a ler, e até, a comprar.


No entanto, a tesoura de atarracar sugere aos organizadores algumas medidas que considera importantes:


Não misturem autores portugueses com autores estrangeiros.


Não misturem romances de cordel com grandes clássicos da literatura mundial.


Não coloquem na mesma correnteza, livros para crianças da pré-primária e ao lado, livros com novas posições do kamasutra e livros sobre o que é que os homens e as mulheres gostam nas suas vidas privadas e mais íntimas. Não é que as criancinhas não saibam ou não venham a saber o que é o maior prazer do universo mas, convenhamos que não é apropriado.


Criem uma secção só para as crianças, onde o barulho dos livros com sons de gatos e cães, não destabilize os utentes do resto do espaço.


Depois, a falta de luz e de ar puro torna o espaço claustrofóbico, especialmente porque, e ainda bem, enche.


Porque enche, deviam colocar mais uma caixa para pagamento. É que as filas (ou bichas, como queiram) tornam-se gigantescas e a confusão é tal que não se percebe quem está para pagar e quem está a tentar ver os livros expostos.


Por fim, é pena que a Câmara ainda não tenha pensado em conceber “quiosques efémeros”, que albergassem estas iniciativas pontuais e temporais.


Esta Feira do Livro, dentro de um monumento que marca a vila, precisar de uma tenda tipo “casamento”, com janelinhas envidraçadas e tudo, presa, por causa dos ventos, com uns monos de betão disfarçados com uns vasos de arbustos, convenhamos que em nada dignifica Sesimbra e o tal “turismo de qualidade”.



terça-feira, 15 de julho de 2008

Não batam mais no ceguinho - Parte 3

Porque o tema ainda justifica, a tesoura de atarracar termina a trilogia sobre aquele que irá resolver e pôr em pratos limpos, se efectivamente os funcionários públicos são competentes ou incompetentes.

Na continuação da pesquisa, a tesoura de atarracar deu de caras com uma lei de 2004 que cria o “SIADAP” – Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública.

Os funcionários públicos vão então ser avaliados com base em “objectivos” e “competências” definidas pelas chefias, dirigentes, eleitos, tachos e tachinhos. Estes, terão que analisar se o funcionário atingiu esses “objectivos” e “competências”, avaliar a “atitude pessoal” e, atribuir-lhe um valor situado numa escala de 1 a 5. A progressão rápida na carreira efectua-se se as chefias, dirigentes, eleitos, tachos e tachinhos vierem a atribuir um 4 (que corresponde a “muito bom”) ou um 5 (que corresponde a “excelente”).

No entanto, o sistema é por quotas: 20% dos funcionários podem ter “muito bom” e 5%, podem ter “excelente”. O resto do pessoal terá “bom” ou “necessita de desenvolvimento” ou “insuficiente”.

Para além disso, haverá ainda que dividir estas quotas pelas carreiras profissionais: “auxiliares”, “operários”, “técnico-profissionais e administrativos”, “técnicos superiores e técnicos”.

Apliquemos então, o SIADP à CMS.

Num exercício meramente académico, suponhamos que a CMS tem 1000 trabalhadores (do quadro, onde não se incluem chefias, dirigentes, eleitos, tachos e tachinhos).

Destes, se 400 trabalhadores forem “auxiliares”, poderão existir 80 “muito bons” e 20 “excelentes”.

Se 200 trabalhadores forem “operários”, poderão existir 40 “muito bons” e 10 “excelentes”.

Se 300 forem “técnico-profissionais e administrativos”, poderão existir 60 “muito bons” e 15 “excelentes”.

Se os restantes 100 trabalhadores forem “técnicos superiores e técnicos”, poderão existir 20 “muito bons” e 5 “excelentes”.

Do total de hipotéticos “muito bons” (200) e de “excelentes” (50), sobram 750 trabalhadores que serão distribuídos pelos “bons”, pelos que “necessitam de desenvolvimento” e pelos “insuficientes”.

Um “bom” é bom. Um “necessita de desenvolvimento” significa conseguir um “bom” no ano imediatamente a seguir. Um “insuficiente” dará direito a despedimento.

Onde estão inseridos os trabalhadores da CMS?

Será que os resultados das avaliações levadas a cabo pela CMS, serão tornadas públicas, para que nós, simples cidadãos pexitos, possamos confirmar se o que se diz é verdade?

Será que existem alguns trabalhadores que “necessitam de desenvolvimento”? Será que existirão trabalhadores “insuficientes”?

Ou será que todos os trabalhadores da CMS são “bons”?

Será que, se existirem trabalhadores “excelentes” e “muitos bons”, serão apenas aqueles que supostamente entraram na CMS com “cunhas” ou por “mãos amigas” e que idolatram as chefias, dirigentes, eleitos, tachos e tachinhos, passando-lhes “a mão pelo pêlo” e “lambendo-lhes as botas”?

Claro que estas classificações dependerão se o trabalhador atingiu ou não os “objectivos”.

“Estabelecer objectivos”. Esta deve ser uma tarefa árdua com que as chefias, dirigentes, eleitos, tachos e tachinhos se debatem. Por exemplo: qual é o objectivo definido para o coveiro? E para o nadador-salvador? E para o telefonista? E para o empregado do bar? E para o motorista?

E para a ajudante de cozinha? Será qualquer coisa do género: “manter muito bem areados todos os tachos, tachinhos e restantes utensílios domésticos”?

Desconhecendo qual o resultado de tais avaliações, a tesoura de atarracar não pode deixar de lançar um apelo:

Não ambiciones vir a ter um lugar na CMS.

Se estás na CMS, tenta conseguir que os eleitos te promovam a chefe ou dirigente.

Se não conseguires, tenta tornar-te amigo/amiga da chefia ou do dirigente. Paga-lhe uns cafezinhos de vez em quando, pergunta-lhe se o fim-de-semana foi bom, preocupa-te com os animais de estimação que ele/ela possa ter, manda-lhe um postal (ou até mesmo uma prendinha) pelos anos, preocupa-te com a saúde dele/dela, diz-lhe um sítio onde há sempre lugar para estacionar o carro, conta-lhe piadinhas inteligentes, envia-lhe aqueles e-mails de palhaçadas, recomenda-lhe um restaurante simpático, usa umas mini-saias ou uns bons decotes (ele) ou oferece-lhe flores (ela), diz sempre bem dele/dela a tudo e a todos de forma a que lhe chegue aos ouvidos, enfim…, torna-te imprescindível para o que ele/ela precisar. E lembra-te, há sempre quem consiga subir deitada/deitado…

Esta é a receita básica e rápida para conseguires pertencer ao grupo dos escolhidos. Não terás que te preocupar. Basta que sejas submisso/submissa.

Por outro lado, senão trabalhas na CMS e se tens a escolaridade obrigatória, ou se és recém-formado, ou desempregado, ou reformado, alista-te num partido.

De preferência no partido que está no poder. Depois “faz-te amigo” dos mais influentes e, ao fim de uns meses, terás um lugar assegurado, não sujeito a “avaliações” e a auferir mensalmente, pelo menos, 1.500€.

Serás então um tacho ou um tachinho (depende com quem fizeres amizade). Serás areado de forma contínua e continuada pelo mais variado tipo de gente.

Apenas terás que te lembrar de três coisas importantes: Primeira: és um deus. Segunda: como deus que és, existirão sempre guerras por tua causa. Terceira: todos te idolatrarão, por seres deus, e acreditarão na tua justiça anual.

Se tiveres algum tipo de moral, podes lembrar-te (mas só de vez em quando) que estas gentes que te “areiam”, sabendo as regras do jogo, dependerão desse “areamento” para poder subir mais rapidamente na carreira e receber mais uns trocos ao fim do mês…

Esta será a receita mais complexa, que exigirá algum “esforço” da tua parte. Mas não terás de te preocupar com coisas menores, porque o teu é certinho. E se o teu partido perder, nas próximas eleições, podes sempre "virar a casaca".

A tesoura de atarracar já referiu, várias vezes, que não são os assessores, os tachos e tachinhos, as cunhas e os amigos, que fazem as coisas funcionar. E agora acrescenta: também não são os eleitos, as chefias e os dirigentes que fazem as coisas funcionar. São os outros…

Estava escrito em qualquer lado: “O político pode prometer fazer, prometer resolver, prometer conseguir. Mas se os funcionários não cooperarem, o politico nada faz e, nas eleições seguintes, dá lugar a outro”.

Não batam mais no ceguinho. São nos que têm os ollhos bem abertos que devem malhar.


sábado, 12 de julho de 2008

Não batam mais no ceguinho - Parte 2

Sendo a CMS o grande centro empregador deste concelho, a tesoura de atarracar decidiu fazer alguma pesquisa sobre quanto se ganha nesta instituição. Valerá a pena? Vejamos:

Há quem receba 450€, mais 4€ por dia útil de subsídio de refeição (porque ao fim de semana e férias, não se come). A estes, tira os descontos para o IRS e a ADSE (aos quais não pode fugir). Limpinhos, o que leva para casa, não chegam a 400€.

Muitos pensarão que este é o ordenado justo a atribuir à chamada “classe operária qualificada ou semi-qualificada” tipo: um calceteiro, um canalizador, um cantoneiro, um varejador, um limpa colectores, um electricista, um jardineiro, um pedreiro, um pintor, um “homem do lixo”, ou até mesmo, um coveiro. Afinal, formação académica não é necessária. Habilitações literárias, é o obrigatório.

A verdade é que todas estas profissões têm o seu quê. Nem todos sabem ser calceteiros ou canalizadores. Nem todos têm estômago para apanharem o nosso lixo.

Mas estes lugares, felizmente para nós, estão ocupados. Nunca deixou de se fazer um funeral por não haver coveiro. Nunca deixou de haver água por não existirem canalizadores para reparar as muitas rupturas. E este tipo de coisas, acontecem muitas vezes fora do chamado “horário laboral”.

O estranho disto tudo, ou talvez não, é que estas pessoas, com estas profissões, o máximo que conseguem ganhar, se chegarem ao topo da carreira, ao fim de 30 anos de serviço, são 700€.

Acima destes, temos a “classe operária altamente qualificada”. São os mecânicos, os serralheiros mecânicos, os impressores de artes gráficas, os soldadores, os electricistas de manutenção de equipamentos, … Começam com 630€ e o máximo que conseguirão, um dia alcançar, depois de uns 30 anos a trabalhar, são 950€ (claro que isto são valores ilíquidos).

Existem ainda os chamados “auxiliares”. Começam a receber 427€ e talvez um dia, recebam 964€ (ilíquidos). Cabem neste grupo motoristas, tractoristas, auxiliares administrativos e de serviços gerias, telefonistas e nadadores salvadores.

Esta muita gente que compõe os quadros de pessoal operário e auxiliar da CMS, tem chefias, também dos quadros, que começam nessa tarefa a receber 950€ e, no fim da carreira, conseguirão receber 1.150€ (ilíquidos). Claro que por esta altura, com este ordenado, já estão na idade da reforma.

Passemos agora àqueles que estão num grupo intermédio, de hipotética “maior responsabilidade” e com mais habilitações e formação… O grande grupo dos assistentes administrativos. Quando começam nas suas funções, recebem 663€. Se conseguirem lá chegar um dia, ao topo da carreira, quando tiverem 60 anos de idade, recebem 1.125€ (ilíquidos).

Também têm chefias, dos quadros. Recebem no inicio 1.125€. Com sorte, chegam aos 1.818€ (ilíquidos). Mas para isso não se podem reformar aos 65 anos.

Seguem-se os “técnicos-profissionais”, onde cabem aferidores, desenhadores, fiscais, medidores orçamentistas, todos os técnicos de acção social escolar, animação cultural e desportiva, arquivo, artes gráficas, biblioteca, turismo e topógrafos. Estas funções são exercidas por pessoal com cursos técnico-profissionais e começam também com 663€ mas, conseguem atingir ao fim de 20 anos, a custo, os 1.500€ (ilíquidos).

Depois, num patamar acima, vêm os informáticos. Aqui, é preciso saber… Começam com 623€ e se chegarem ao topo da carreira, já bem velhinhos, seguindo o exemplo do Fernando Pessa, atingem 3.000€.

Restam as carreiras dos “técnicos”. Neste “técnicos” entenda-se pessoal com habilitação académica igual a bacharelato, licenciatura, mestrados ou até, doutoramento. Estão neste grupo os engenheiros, arquitectos, arqueólogos, geógrafos, médicos e médicos veterinários, juristas, contabilistas, historiadores, psicólogos, sociólogos, … Começam com 740€ e se conseguirem, algum dia, chegar ao topo da carreira, receberão 3.000€ (ilíquidos). Claro que este grande grupo é o que “aguenta” menos tempo as mesmas pessoas. São raros os que se reformam da função pública. E mais raros os que conseguem chegar ao topo da carreira, com mais de 60 anos, e receber 3.000€.

Todos estes grandes grupos são os quadros das Câmaras. São grupos, compostos por muitas pessoas, dos mais diversos níveis sociais e até intelectuais. Com os seus pontos fortes e também, com os seus pontos fracos. Às vezes bem-dispostos. Outras vezes mal dispostos. Às vezes “energéticos”, outras vezes “paspalhões”.

Como qualquer outro empregado de outra empresa qualquer.

A tesoura de atarracar desafia todos os bloguistas a fazerem este ensaio, nas empresas onde trabalham. Verifiquem quanto ganha o maior “paspalhão” e o maior “energético”. Quanto ganha o empregado mais “reles” e quanto ganha o “patrão”. E já agora, em que grupo é que vocês próprios se inserem.

Depois ainda há aqueles que na empresa onde trabalham, têm direito a carro e telemóvel. A empresa ainda paga Km e gasolina. Paga almoços e jantares. E se por ventura tiver que pernoitar fora de casa, paga a estadia e a viagem, se for o caso, de avião. Ao fim do ano, têm prémios de desempenho e os lucros da empresa são divididos pelos empregados.

Mas estes casos não se aplicam à função pública e muito menos à CMS.

Resta falar naqueles trens-de-cozinha cheios de utensílios domésticos, (tipo tachos e tachinhos) que invadem a CMS de 4 em 4 anos. São os “grandes salvadores da pátria”, que chegam sem perceber nada de nada para mandar naqueles que exercem as suas funções há muitos anos.

É vê-los a receber entre 1.500€ a 3.000€ mensais. Acresce ainda uns almocinhos e telemóvel. Estes sim, são verdadeiros profissionais que sabem da matéria. Falta dizer que, muitos não vivem só do que a CMS lhes paga. Têm as suas profissões e os seus empregos. Aqui, é mesmo só o tacho.

Será fácil para um funcionário, que recebe 700€ e que trabalha na sua profissão há 20 anos, ensinar e prestar “vassalagem” a alguém que se pavoneia meia dúzia de dias por mês, larga uns bitates, escreve qualquer coisinha, participa numa reunião ou outra e no fim, leva no bolso, pelo menos 1.500€?

O povo quando vota, não elege estas “aves raras de arribação”. Mas estas, por serem raras, são protegidas. E nas zonas de caça estão em áreas de “reserva”, onde é proibido “caçá-las”…

A tesoura de atarracar volta a dizer: é preciso cuidado quando se diz que só entram familiares, amigos e pessoal com cunhas. Porque os que pertencem aos quadros, entram por concurso público.

Os outros, que recebem mais e provavelmente fazem menos, entram pelas mãos dos partidos que estão ou estiveram no poder. Estes sim, são só os camaradas, amigos e amigos dos amigos.

Falam das famílias, de familiares, de pessoas. Esquecem-se que todos os que são deste concelho, na sua grande maioria, tem ou tiveram (ou vão ter) alguém na família a trabalhar na Câmara.

E os que não têm, querem ter. E querem ter porquê? Quais são as benesses? Existem?

A tesoura de atarracar, não troca, não quer trocar, nem tem inveja daqueles que fazem carreira na função pública e na CMS.

Pensem bem. Lembrem-se que os funcionários públicos são os únicos que não conseguem fugir aos impostos. Tudo o que recebem, é declarado. Não recebem nada “por fora” ou “por baixo da mesa”.

Estavam bem arranjadas as nossas empresas de construção, a restauração, a pesca, a agricultura, o comércio local, … se tivessem que cumprir esta exigência que é de lei…



sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não batam mais no ceguinho - Parte 1

Muito se tem blogado sobre os “empregos” e os “trabalhos” que se arranjam em Sesimbra. Mas antes de se atirarem pedras a instituições, famílias e pessoas, não deviam todos pensar nessa aparente grande dificuldade? Ou será que até é fácil? Se calhar bastará um pouco de empenho, dedicação, fé e esperança. Vejamos:

Todos sabem que a pesca já deu o que tinha a dar. È proibido pescar á cana, as artes são só três dias por semana, as aiolas são o que se vê e, as traineiras são cada vez menos. Gente nova nesta vida dura, nem vê-la.

Na agricultura, e tirando a iniciativa da PROVE, o que é que temos? Nada. Não há gente nova a cultivar, nem a cavar a terra.

As empresas de construção (construção civil, obras públicas, serralharias, carpintarias, marcenaria, pedras, transportadoras, …) já tiveram melhores dias. E estas, são na sua maioria, “pequenas/médias empresas familiares” por vezes com alguns amigos e amigos dos amigos.

As pedreiras e os areeiros ao que parece têm os dias contados. Pelo menos é o que diz o PNA e o POOC. E grandes obras (tipo ponte Vasco da Gama e Expo) não se vislumbram a curto prazo. Mas, também aqui o universo é familiar e de amigos.

Depois, tem-se a restauração. E neste negócio, a frase feita é “isto tá mau”. Aqui, trabalhar só de verão, porque no inverno, ficam a família, os filhos, os sobrinhos.

No comércio local, são as mesmas caras, as mesmas pessoas, durante anos e anos e anos. Empregados? Não podem ter porque “isto tá mau”. Mais uma vez, o negócio é familiar.

O que é que sobra? O que é que sobra para o pessoal da terra, que não tem na família ninguém com um negócio? Onde é que podem procurar emprego? Como qualquer cidadão deste país, tentam arranjar emprego na área de residência…

E é aqui que o problema se põe. Tirando a pesca, a agricultura, a restauração e o comércio local, sobram:

Instituições bancárias. Vagas? Ofertas de emprego? Se existem, ninguém sabe. E os que sabem souberam por alguém que disse quase em segredo. Para além disso, é preciso formação académica. Porque sem formação, já têm muitos dos mais velhos que foram e são a cara da instituição na nossa terra, durante anos e anos.

Seguradoras. Pois é. Estas, também são familiares.

Imobiliárias. Tirando as familiares, talvez seja uma hipótese.

Lojas do chinês. Nestas, só chineses.

Farmácias. Vagas? Para além disso, também é necessária formação.

Finanças, Conservatória, Notário e Tribunal. Vagas? Ofertas de emprego? E, segundo dizem, são “sete cães a um osso” e muita gente de fora. E claro, formação académica.

Centros de Saúde ou SAP. Os lugares estão ocupados pelos mesmos de sempre. Ofertas de emprego? Desconhecem-se.

Laboratórios de Análises e exames médicos. São poucos. Aparecem agora, ao fim de muitos anos, caras novas e gente nova. Pode ser também, uma hipótese. Com formação, claro.

Colectividades, Associações e Grupos Desportivos. Ouve-se falar por vezes de vagas para as secretarias. Mas aqui, é difícil “entrar”. E, dizem, pagam mal.

ATL, Infantários, Creches, Lares de Idosos e Centros de Dia. Grande lobby. Familiares. Amigos. E antes de um sair, o outro já entrou. Não há vagas nem ofertas de emprego.

Igrejas. O trabalho comunitário pode ser uma opção. Pagam?

Santa Casa da Misericórdia. Irmãos e Irmãs.

Juntas de Freguesia. Não têm dinheiro. Precisam da CMS. E os funcionários que têm chegam. Vagas? É preciso estar atento e ter fé.

Assembleia Municipal. É preciso secretariar os eleitos. Mas esses lugares estão ocupados. Esqueçam.

Câmara Municipal (e aqui cabem as Bibliotecas, Cinema, Escolas e Museus). Aparentemente é o que sobra.

Aqui, abrem concursos (sim porque é preciso abrir concurso público para oferta de emprego, publicado em diário da república), todos os meses, para as mais diversas funções, com as mais variadas habilitações literárias. Basta concorrer. E claro, se calhar bastará um pouco de empenho, dedicação, fé e esperança e o lugar é seu! Como a oferta de trabalho é pública, o seu nome será também publicado em diário da república, para que todos saibam quem ficou com o lugar.

Senão entrar, pode sempre reclamar para os tribunais administrativos. Porque aqui, porque é estado, pode reclamar. E até pode ganhar a acção.

É preciso cuidado quando se diz que só entram familiares, amigos e pessoal com cunhas. Provavelmente entrarão muitos. Mas muitos outros entram por mérito próprio.

Num universo laboral tão fraco, a Câmara Municipal assume obrigatoriamente e necessariamente, um carácter humano e social. Mas não é só em Sesimbra.

Tirando as Câmaras dos grandes centros urbanos seria interessante averiguar por quem são compostos os quadros de pessoal das Câmaras mais longe dos centros. Provavelmente são compostos por muitas pessoas dessas terras, muitas famílias e familiares.

Deixem-se de conversas ofensivas que só demonstram desconhecimento da matéria.

A tesoura de atarracar já referiu que não são os assessores, os tachos e tachinhos, as cunhas e os amigos, que fazem as coisas funcionar. Esses mudam de quatro em quatro anos.

Os outros, os dos quadros, é que lá ficam a resolver o que tiver de ser resolvido.

Pelo menos, merecem-nos respeito. Como cidadãos que prestam um serviço público.


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Zona de Caça

Sesimbra faz parte da terceira região nacional da “arte da caça”.

A tesoura de atarracar depois de ter visto e fotografado muitas das placas espalhadas pelo território concelhio, identificando “Zonas de Caça Municipal” (ZCM), associadas a um outro sinal identificador que ali é possível caçar mediante autorização de quem de direito, decidiu consultar a página oficial da Direcção Geral de Recursos Florestais e o Decreto-Lei 201/2005 de 24 de Novembro que regula a “Lei de Bases Gerais da Caça”.



Este "post" serve apenas de alerta a todos os que vivem fora do burgo e que, desconhecem o que quer dizer esta sinalética.

É apenas para referir que nos locais sinalizados, é possível caçar às quintas-feiras, domingos e feriados, todo o tipo de aves e mamíferos identificados no tal decreto-lei, desde que para tal, qualquer caçador do território nacional pague a respectiva licença, em qualquer caixa de multibanco, no valor de 60€.



E com este pagamento pode caçar livremente, nos dias indicados, de Agosto a Fevereiro.

Este decreto-lei define as chamadas áreas de protecção, que se localizam dentro das zonas de caça. Nestas áreas, alerta para o facto do exercício de caça poder causar perigo para a vida, saúde ou tranquilidade das pessoas ou constituir riscos de danos para os bens (artigo 2).

Como é que é possível integrar nas “zonas de caça municipal” de Sesimbra, terrenos anexos a infantários, igrejas, percursos pedonais, zonas de pasto, parques de merendas, monumentos nacionais, aglomerados urbanos, povoados, vias municipais,…, quando estas áreas não possuem quaisquer características naturais nem tão pouco o conjunto de espécies animais descrita pelo decreto-lei?




A ser assim, (e conforme a tesoura de atarracar já referiu no “post” Pescadores…, não podemos esquecer que para os naturais e habitantes da vila, é aqui a capital do concelho. É aqui que tudo tem que acontecer. É aqui que tudo tem que estar), porque não delimitar uma Zona de Caça Municipal, no burgo, entre o Caneiro e o Macorrilho?

Aqui sim, qualquer caçador ficará deslumbrado com os mais belos exemplares mamíferos, as aves sedentárias, as aves migradoras e as aves parcialmente migradoras.

Para já não falar das aves raras ou da caça maior, que enchem o burgo com o tal “turismo de qualidade”…



quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pescadores...


Em jeito de "post"/comentário ou, de comentário/"post", a tesoura de atarracar atreve-se a revelar que o problema deste Concelho, não é o monumento aos pescadores…

O problema deste Concelho é ser pequeno e ficar no fim da península de Setúbal, rodeado por mar, que não permite ligar o povo à realidade que está lá fora, mas em terra.

Sesimbra ainda tem muitos “velhos do Restelo” que acham que bonito, era a lota na praia e os pescadores, com os seus grandes chapéus pretos e botas de borracha, a distribuírem peixe ao povo que chegava de burros e de carroças. Sesimbra assim, é que era bonita.

E depois, não podemos esquecer que para os naturais e habitantes da vila, é aqui a capital do concelho. É aqui que tudo tem que acontecer. É aqui que tudo tem que estar. É aqui. Não é em Santana ou no Meco. Ou no Zambujal ou na Maçã. E muito menos na Quinta do Conde ou na Lagoa de Albufeira.

O problema deste concelho é que se fala muito e pouco se faz. Existem muitos filósofos, demagogos e até utópicos mas, na hora H, falta-lhes coragem… Porque uma coisa é falar e escrever sobre determinada matéria, outra é pôr qualquer ideia, por mais pequena que seja, em prática.

A mudança do Monumento aos Pescadores terá servido apenas para que todos se lembrassem que existia. E só pelo conjunto de “post”, comentários, artigos, conversas e fotografias que se realizaram em menos de um mês sobre o velhinho monumento, já valeu a pena.

Qualquer coisa que altere a vila é um problema. Por isso, seja PS/CDU/PSD/CDS/ou-um-qualquer-independente, nunca conseguirão alterar nada enquanto os “velhos do Restelo” continuarem por aí… em cada esquina… à espera da presa…

Querem exemplos?

Não acham que é bonito entrar na vila por entre ambulâncias, auto-tanques, jipes e carros dos bombeiros, atafulhados á volta de um monumento?

Não seria melhor que o parque automóvel dos bombeiros fosse fora da vila?

“Não, nem pensar! Os Bombeiros são da vila!”

Não acham que as piscinas do “Sesimbra” ficaram ali atarracadas, sem espaço, e que quando começarem a funcionar, aquela estrada, aqueles acessos, aqueles parques de estacionamento, vão rebentar pelas costuras?

Não seria melhor descentralizar o “Sesimbra” para outros locais do concelho?

“Não, nem pensar. O “Sesimbra” é do Sebastião e dos pexitos. O lugar dele e de tudo o que lhe diga respeito, é na vila."

Não acham que os serviços públicos da Câmara, que funcionam espalhados pela vila, só provocam mais congestionamentos e falta de estacionamentos, pelo conjunto de utentes que precisa daqueles serviços?

Não seria melhor instalar todos os serviços da Câmara num único edifício, noutro local do concelho e, na vila, funcionar apenas a vereação e o presidente, no chamado “edifício nobre”?

“Não, nem pensar. A Câmara é em Sesimbra. É na vila e ponto final."

O que se assiste são a remendos sistemáticos a coisas que já funcionaram bem, em tempos que já lá vão, e que agora, rebentam pelas costuras.

O Monumento aos Pescadores… é só uma gota de água no oceano, que vale pela coragem de alguém em mexer-lhe. E vale pelo protagonismo que consegue, ao fim de todo estes anos, ganhar na vida e na opinião pública sesimbrense.

Mas não. Bonito bonito era Sesimbra antigamente.

“Bonito bonito são as canções do tozé brito”.

“Bonito bonito são as…”