sexta-feira, 24 de outubro de 2008

“Nouvelle adresse” – parte 1

A tesoura de atarracar decide desta vez, abordar alguns dos temas que o NM decide considerar na sua última tiragem e que, parecem marcar de alguma maneira as lides sesimbrenses.

Comecemos…

“Encontro autárquico do PS – turismo em debate”.

Infelizmente para nós, que não soubemos da tal iniciativa, ficamos sem saber afinal quais foram as reflexões do PS sobre o “turismo sustentável, Sesimbra estratégica", que se revelou ao que parece, “num debate revestido de significativo interesse”.

Esperemos que alguém nos venha elucidar sobre o que pensará o PS sobre tal tema de sobeja importância para o concelho.

Apenas uma nota: se o encontro foi no “hotel do mar”, porquê uma fotografia do “mar da Califórnia”?


“Câmara encomenda estudo sobre estratégia de turismo”.

Parece que o PS e a edilidade estão em perfeita harmonia nas questões que escolhem para abordar.

A diferença porém, é que a edilidade aposta num estudo que esclareça e encaminhe as opções da autarquia para um tal “turismo de qualidade”.

Apesar disso, o que salta da notícia é; “a adjudicação foi entregue (…) a empresa de ex-ministro”.

Esperemos pelo prometido período de discussão pública e debate com a população.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Do mar à califórnia

Este post surge na sequência de um comentário da tesoura de atarracar no blog varam’ess’aiola, sobre “lições de arquitectura e urbanismo”.

Para que o autor do blog perceba o que a tesoura de atarracar quis dizer, nada melhor do que uns registos fotográficos de ontem e de hoje, que não cabem num comentário (ou, pelo menos, a tesoura de atarracar não sabe inserir fotografias em comentários).

Para aqueles que estão a ler este post, a tesoura de atarracar recomenda que leiam no blog: www.varamessaiola.blogspot.com, e em primeiro lugar, o post “conversa de um deputado PS com a sua consciência”, em segundo lugar o post “lições de arquitectura e urbanismo” e, em terceiro lugar, os dois primeiros comentários neste.

Depois disso, devem (se quiserem), continuar a ler este post:

Parecem desconhecer que o que divide o “hotel do mar” do “mar da califórnia” é apenas e só, o tempo em que os mesmos ocorrem. Basta constatar nas fotografias da época os dois locais onde se implementaram. E verificar o resultado nas semelhanças das fotos actuais.




À data do “hotel do mar”, não existiam SIGLAS como REN, RAN, Rede-Natura, POOC, PDM, PNA, DPH, DPM, DPE, APSS, ICN, CCDR, PROT, … e tantas outras que, conforme já prometido noutro post, a tesoura de atarracar irá oportunamente explicar, a todos, o que querem dizer e para que servem.

Felizmente para nós, o proprietário daquele terreno, à época, teve visão, oportunidade e dinheiro, para contratar o arquitecto Conceição Silva e, “dar-lhe asas” (mesmo sem red-bull), para criar o “hotel do mar” que é hoje, uma obra memorável e objecto de várias palestras, conferências, propostas,…

Felizmente também para nós que, o projecto e a obra do “hotel do mar” não ocorrem nos dias de hoje… Senão lá estaríamos agarrados às “siglas” e a “questões politico-ambientais”.

Sobre o que acontece hoje, quer no lado nascente, quer no lado poente do burgo (e também, no resto do concelho) resulta do cumprimento das “siglas” e das “questões politico-ambientais”. Ah!, e sem esquecer que grande parte destas obras, não são projectos de autor.

São de outros, de “renome internacional” que nem com red-bull lá vão.

Quando a tesoura de atarracar refere que “esperemos que você e o seu partido consigam trabalhar com os outros partidos, em benefício do concelho e não apenas numa política desconstrutiva e de oposição”, refere-se, por exemplo, ao que é dito no post abaixo e que reflecte o papel dos partidos e dos políticos:

Se estão no poder, concordam e aprovam a proposta que cumpre as “siglas” e as “questões politico-ambientais”;

Se não estão no poder, concordam com a proposta que cumpre as “siglas” e as “questões politico-ambientais” mas, votam contra.

Depois ainda há aqueles que estão contra mas que ninguém percebe porquê. E estes, são os da política desconstrutiva que em nada beneficia o nosso país e muito menos o nosso concelho.

Por isso, como jovem que é o autor do blog varam’ess’aiola, a tesoura de atarracar recomenda-lhe a si (e a todos os políticos que porventura leram este post) que, a vossa consciência prevaleça sobre aquilo que vos mandam votar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A"tirem" a 1ª. pedra

Parece que todos e toda a gente, fala de tudo e de todos e tem sempre opinião sobre o pouco que se vai fazendo no concelho e que influencia a vida de quem nasceu, vive e vai morrer, na terra que ama.

Esses iluminados falam, escrevem, promovem debates mas, nunca apresentam soluções ou alternativas. A alternativa que todos apresentam é que, nas próximas eleições deixemos de votar no partido “A” e, passemos a votar no partido “B”, porque esse sim, é bom e resolve problemas.

Só ficamos sem perceber é que problemas vão resolver e como. Só sabemos que o partido do poder é mau e que, qualquer um dos outros é muito melhor e que, o que vai fazer, resolverá tudo.

A tesoura de atarracar volta mais uma vez a virar as atenções para questões do nosso dia-a-dia, que essas sim são fáceis de resolver. Basta que tenham coragem, que sejam práticos e objectivos.

Para além daquilo que já foi referido em anteriores posts, que raramente mereceram por parte dos comentadores qualquer tipo de observação (ou porque não sabem o que dizer, ou porque não perdem tempo com questões locais e localizadas, ou porque não percebem nada do que é escrito, ou porque as questões abordadas não dão votos, nem protagonismo, nem poder, nem tachos, nem tachinhos, …) a tesoura de atarracar decide abordar novamente um tema que não é político nem politizado mas que, pela imagem degradante que debita, nos devia envergonhar a todos.

Numa terra em que a indústria da pedra tem um papel preponderante, haverá justificação para o aspecto quinto mundista que as empresas desta matéria-prima nos presenteiam ao longo dos caminhos públicos?

E as lojas de materiais de construção? Haverá justificação para que os armazéns de material, ao ar livre, sejam à vista de todos nós, pendurados sobre as estradas do concelho?

Estes industriais que se enchem à grande, muitas vezes praticando os preços que querem, por falta de concorrência directa, não podem despender de alguma parte dos lucros anuais e efectuar melhoramentos nas instalações e respectivo espaço envolvente?

Já sabemos que “isto tá mau”. Que “isto já não é o que era”. Mas, será que as palavras arrumação e limpeza não constam no vocabulário destes industriais?

Numa pequena viagem pelo Zambujal, é só escolher:


A tesoura de atarracar atreve-se a sugerir que alguém de direito imponha regras, nomeadamente, nos portões que se abrem, nas vedações que se fazem e, especialmente, no entulho que é depositado sobre as estradas do concelho.

Se é lixo, deve ir para o lixo. Se não é lixo, deve ser arrumado.

E porque o que queremos ver é a loja, metam os armazéns nas traseiras e dignifiquem a entrada.

Numa terra de pedra, deviam os industriais primar pela qualidade do serviço. Porque afinal, é o cliente que paga.

À semelhança de lojas de materiais de construção e de pedra, noutros sítios deste país, são-nos apresentados vários modelos, em catálogo ou, em muitos casos, “construídos “ e em exposição na loja.

Em Sesimbra não.

Nós, os que não percebemos nada de horta, levamos com um construtor que fala com o homem da pedra, e mostram uns bocados daquilo que acham ser a pedra perfeita. O que está sempre em causa são números, euros. E porque não sabemos da matéria, levamos com o arranjinho de duas pessoas que se cruzam connosco num determinado momento.

Não vimos exemplos. Não percebemos a diferença de um lioz polido, amaciado ou envelhecido.

E, porque é caro, depois de estar feito, se não gostarmos, paciência… É um tiro no escuro que sai caro e por vezes, também sai mal.

Se existe tanta preocupação nos dias de hoje, com a qualidade dos serviços e a respectiva certificação, quando é que estes industriais irão entrar no século XXI?

O cliente não quer ver a desarrumação e a porcaria espalhada por todo o lado. E muito menos os que passam na rua, que não são clientes, mas têm que levar com a lixarada espalhada, por vezes à porta de suas casas.

Já pensaram em criar estacionamentos, ajardinar as zonas de entrada, plantar umas árvores, uns arbustos, construir um muro de jeito, com um portão, … Criar uma acesso vedado para a área de armazém ao ar livre, e localizá-lo numa zona que não se veja da frente de rua…

E as lojas de materiais de construção? Não precisam de expor sobre as estradas, casotas de cimento para cães ou, fossas estanques ou tijolos de betão. Toda a gente sabe que vocês vendem. Podem refundir essas tretas nas traseiras e contribuir para uma imagem urbana digna e limpa.

A nós, resta-nos atirar de vez em quando umas pedradas no charco, na esperança que se oiçam no sítio certo, e que o concelho consiga, aos poucos ganhar uma imagem apelativa e humana.

Deixem lá as obras do burgo. Deixem lá as actividades que deviam ser “patrocinadas” pela biblioteca. Deixem lá os debates sobre “estratégia e turismo”. Deixem lá a canseira da mata.

Mudem de disco. Haverá que pensar em primeiro lugar, na nossa qualidade de vida, na melhoria do espaço público e da imagem urbana do concelho, que é de todos nós.

Depois, depois pensemos nos turistas e no turismo de qualidade. E sem esquecer que estes, não dão votos, nem tachos, nem tachinhos…

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cada macaco no seu galho...


A expressão é velha e sábia. Mas, será que restam dúvidas?


Num conjunto de obras que decorreram e decorrem no espaço público do burgo, a edilidade decide contratar os serviços de arquitectos e engenheiros de “renome internacional”, para apresentarem propostas e claro, pagas (porque ninguém, muito menos Srs. Arquitectos e Srs. Engenheiros, trabalham de borla).


Daquilo que já está feito aos olhos de toda a gente, parece que os arquitectos e engenheiros de “renome internacional” inventaram muito e acertaram pouco…


A tesoura de atarracar ensina:

1º. Um dos factores determinantes para qualquer tipo de intervenção em espaços públicos, é a orientação solar.

2º. As horas de maior exposição solar, ocorrem entre as 12h e as 16h, de verão e de inverno, e consequentemente, são as horas de maior calor.

3º. As árvores, para além de poderem ser utilizadas como elemento meramente ornamental, podem e devem ter outra função, como por exemplo, o ensombramento dos espaços, a marcação de eixos importantes, a marcação de ritmos,…

4º. Os locais escolhidos pelos projectistas para colocação de bancos, devem ter em conta também, a exposição solar e o arranjo paisagístico envolvente.

5º. Para além disso, há que equacionar, se for o caso, as casas existentes e as janelas das mesmas.

6º. E porque o espaço público também é vivido à noite, factor determinante é a escolha do tipo de iluminação pública.


Passemos aos exemplos:

Bancos colocados a nascente, devem, se o objectivo é que as pessoas se sentem neles e descansem, num momento de pausa para “refrescar”, ser acompanhados por uma espécie arbórea, de copa redonda, com um diâmetro mínimo de 5m, localizada a poente. Isto é básico, claro está.

O que temos:

Bancos a nascente, com árvores também a nascente e a sul… Estes bancos nunca vão estar em sombra, no período de maior incidência solar…


Ruas estreitas, ladeadas por comércio e habitação, por si só, já provocam ensombramento no espaço público. A colocação de espécies arbóreas é meramente ornamental e poderá definir eixos ou ritmos. No entanto deverá ser de copa mais alta e pouco larga, que não provoque níveis de ensombramento elevado nas janelas das habitações, que por se localizarem em ruas estreitas, pouco ou nenhum sol recebem diariamente. Isto também é básico, claro está.

O que temos:

Árvores de copa redonda, com diâmetros de 5m, em cima de janelas, anulando a luz solar por completo…


Num espaço aberto, haverá que pensar num tipo de iluminação pública que não crie espaços sombrios. Se existe um percurso, se existem bancos, se existe um largo, a iluminação deve ser franca e atractiva.

O que temos

Meia dúzia de candeeiros que foram utilizados como se de esculturas se tratassem. A tesoura de atarracar percebe a intenção mas, por pouco ou nada iluminarem, o espaço vive da iluminação das montras do comércio e… dos projectores pendurados na fortaleza…


Porque muito já foi dito sobre os arranjos dos espaços, e porque ninguém parece conseguir explicar e/ou perceber a intenção de cada projecto, a tesoura de atarracar desconhecendo a intenção de colocar dois zimbros-gémeos encostados ao lado nascente da fortaleza, atreve-se a sugerir que alguém de bom coração, os regue. Até porque um deles se não secou, está perto disso.


E porque já se fala na intervenção que a fortaleza vai sofrer, esperemos que estes zimbros-gémeos, não tenham os dias contados… é que colocar andaimes por entre zimbros e arranjar aquela parede, não vai ser pêra doce…


Resta apenas dizer que, só em projectos dos tais arquitectos e engenheiros de “renome internacional”, parece que a edilidade terá despendido cerca de 50.000€. Até nem foi caro.


Mas, numa Câmara, (pelo que dizem, sem dinheiro) onde existem umas centenas de arquitectos, paisagistas e engenheiros que pertencem aos quadros, não teria sido mais barato, produzir os mesmos projectos com a “prata da casa”?


Afinal somos nós, contribuintes, que pagamos estas brincadeiras. E se a brincadeira pudesse ficar mais barata, nós agradecíamos…


Claro que isto é pura especulação. Afinal há que pagar serviços a arquitectos e engenheiros de “renome internacional”. Porque esses sim percebem da matéria…


Aguardemos pelas obras no Largo de Alfarim…



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mais uma...

A tesoura de atarracar divulga, em primeira mão, a nova escultura que irá ser colocada na nova rotunda da Corredoura, em frente à vidreira.


Depois de aceso debate de ideias, a decisão foi unanimemente tomada.


Para que fique registado para toda a eternidade, a homenagem é feita a todos aqueles que em nada contribuíram para coisa nenhuma, a não ser para o seu próprio bem-estar:


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Espelhados ou polidos?



Numa época em que o chamado centro histórico do burgo é revitalizado com grandes obras de conservação e recuperação, apostando cada projecto em manter a identidade do local, respeitando a sua alma mas, ao mesmo tempo, introduzindo novos conceitos de modernismo espelhados pela opção certa na escolha de materiais e de mobiliário urbano, a tesoura de atarracar não pode deixar de se indignar com outras obras que a edilidade leva a cabo, no mesmo centro histórico mas, desrespeitando tudo o que a envolve.


O largo do município. Andaram obras durante uns bons meses no rés-do-chão daquele edifício de frente, onde estava a caixa de multibanco. Ao que parece, está pronto. A tesoura de atarracar pergunta: quem foi o autor daquele projecto de recuperação? Quem foi o técnico que terá acompanhado a obra?


É, no mínimo, questionável. Porque é que num largo onde todas as portas são em madeira, pintadas na cor verde-garrafa-escuro, a deste edifício é numa cor verde escura brilhante e com grades?


Para além disso, o autor deste projecto de recuperação aplicou nesta intervenção o conceito do voyeurismo: ver sem ser visto. Todos os vidros das janelas são… espantem-se…espelhados!


Convém lembrar que Sesimbra e o seu núcleo histórico, pelo seu valor cultural, pela sua identidade e autenticidade, merecem que o seu património imóvel seja valorizado.


Pelo que se tem observado das obras que já se conhecem, nas zonas antigas e de valor histórico da vila, as intervenções urbanísticas têm-se preocupado em recuperar um determinado valor patrimonial e tentam reabilitar vivências sociais e memórias culturais das respectivas áreas.


É bom que todos estejam atentos e não venham a pôr em causa uma possível classificação do “conjunto histórico da vila de Sesimbra” como de “interesse público” e/ou de “interesse municipal”.


A tesoura de atarracar anseia pelas obras que se irão desenvolver no largo do município e na rua da república. Pode ser que esse projecto venha a sanar este erro grosseiro que desvirtualiza o largo, desrespeitando um edifício que está classificado como património municipal.



domingo, 14 de setembro de 2008

A capital rasca do campo


Descentralizando mais uma vez as atenções pexitas do burgo, a tesoura de atarracar decide centrar as atenções naquilo que não se faz fora deste.

Durante as últimas décadas ouve-se falar de um tal plano que vai resolver muitos dos caos existentes na “capital do campo”…

Ouve-se falar do plano mas, existe? Está a ser feito? Falta muito? É que o caos continua. As obras continuam a crescer. Os loteamentos e as urbanizações também. Será que esse tal plano vai servir para alguma coisa? Ou é apenas mais um, onde se gastou uns milhares e que, depois de publicado, de nada serve?

Senão vejamos:
A “capital do campo” é o local por onde tudo passa. Passam todos os que vêm de Paris ou de Londres, de Barcelona ou de Berlim, de Lisboa ou de Setúbal, do Meco ou de Alfarim, da Maçã ou das Pedreiras. É inevitável. Todos os que por um motivo ou por outro queiram entrar no burgo passam por lá.

O cenário urbano é único no planeta:
Vindo da Cotovia, apanhamos uma rotunda que ninguém percebe para que é que serve, o “prédio do cachão” cheio de lixos nas varandas, o “prédio do teodoro alho” com o “ângelus” apertado naquele canto de um pseudo-estacionamento com entrada directa na rotunda, mais à frente o velhinho prédio do dr. Tocatins que nos faz entrar numa curva apertada, de caras com um resto de casa que ficou ali pendurada depois das obras do “ prédio do Titanic”, e que o “Pedro Filipe” diz que se vende…

Em frente, o antigo dispensário, onde as crianças do campo eram vacinadas em tempos que já lá vão, completamente abandonado. Depois temos a “escola dos ratos” transformada em sede de uma empresa de construção e o “Avelino”, que vai resistindo ao progresso, com as suas bicicletas e os seus remendos.

Se viermos da Maçã, depois da rotunda dos espadartes, ainda apanhamos com um “nobre escolha” abandonado, cheio de lixos e um acesso sujo às traseiras do “prédio do teodoro alho”. Um cenário idílico… Chegamos à rotunda e levamos com o mesmo cenário de quem vem da Cotovia…

Mas se viermos do Meco, podemos sempre fugir da “capital do campo” pela estrada da igreja da Corredoura… mas se viermos em frente… é melhor fecharmos os olhos no percurso entre a “casa do campo” e o antigo “charuto”. Senão registaremos algo que não mais vamos esquecer: prédios novos que parecem velhos, desprovidos de qualquer tipo de sensibilidade arquitectónica, casas rurais antigas entaladas entre o “progresso”, carros por todo o lado, pessoas como baratas tontas a ziguezaguear entre carros e mais carros e mais carros, casas antigas fora dos “alinhamentos”, casas novas a criar dentes de passeios contra muros antigos, grandes varandas sobre a estrada, a confusão dos correios e de todo o comércio ali existente, … Finalmente, chegamos à bicha do semáforo!

Enquanto esperamos, estamos no meio de um enorme cruzamento para a Almoinha, uma praça de táxis, uma residencial, o “Zé barbeiro” e uma varanda que nos alegra a vista com a sua branca de neve e os sete anões. Do outro lado da estrada, um muro velho, um passeio mínimo, uma cabine telefónica…

Se viermos do burgo, podemos sempre desviar pelo "forno da cal" e sair ali, apertadinhos e perigosamente no cruzamento para a Quintola. Senão, seguimos em frente, apanhamos a “flecte”, a farmácia e a desorganização do estacionamento e daquele acesso em terra batida ao “Florentino”. Podemos sempre olhar para o outro lado, e ver a horta daquela casinha entalada entre as escadas que nos levam ao antigo “charuto” e uma florista… Finalmente, chegamos ao semáforo.

O percurso entre semáforos e a rotunda é comum a todos os que passam, venham donde vierem. É também neste percurso que se encontram cenários difíceis de descrever:

Um cruzamento da Quintola que sai directamente e sem visibilidade para uma faixa de rodagem que ganha, naquele momento, duas vias no mesmo sentido, interrompidas por uma paragem de autocarros, apertada contra um muro e um passeio minúsculo.
Um jardim tapado por um quiosque e em muitos dias, por um jipe que ali estaciona.
Do outro lado, uma paragem de autocarros desordenada, plantada no meio da via, um passeio gigante sem limites, carros estacionados, muitas pessoas, muitos camiões e um cruzamento de quem vem do “forno da cal” que sai em cima de uma passadeira perigosíssima, em frente à loja de fotocópias. Ainda há espaço para um café…

O que falta fazer na “capital do campo”? Poderá um plano alterar este ambiente degradante de péssima qualidade urbana e arquitectónica?

Como grande exemplo novo, daquilo que é possível fazer, temos o “prédio do Titanic”. Mais uma grande obra de um engenheiro deste concelho e de um proprietário sedento de realizar dinheiro através da especulação imobiliária. O que se vê, é uma chaminé pendurada no meio de uma calçada gigante, rodeada por hipotéticos espaços comerciais e apartamentos vazios, à espera que alguém os compre…

Houve melhoria no espaço público? Não.
Contribuíram de alguma maneira para melhorar o acesso à “capital do campo”? Não.
Tentou a Câmara “obrigar” o proprietário e o engenheiro a encontrar soluções que resolvessem o remate com o prédio do dr. Tocatins? Não.
Alguém pensou num espaço público nobre, onde pudessem, por exemplo, ser instaladas as paragens de autocarros? Não.

E o que dizer da estrada sem saída, criada ao lado da antiga “escola dos ratos”, e do perigoso entroncamento desta com a estrada nacional?

A tesoura de atarracar sugere a todos os que anseiam por um lugar nas listas dos partidos, que insiram no seu programa eleitoral, objectivos e soluções para resolver este caos urbano, que faz com que Santana seja considerada a “capital rasca do campo”.

Comprem as casas velhas devolutas e que estão à venda e, deitem-nas abaixo. Obriguem os proprietários a pintar e a reabilitar os prédios, há lei para isso. Obriguem os grandes “investidores” a contribuir para a melhoria do espaço público. Façam uma grande rotunda no lugar dos semáforos, que resolva o entroncamento da Almoinha, de quem vem de Sesimbra e de quem vem da Cotovia.

Ou então, apresentem o tal plano…e esperemos que o mesmo tenha qualidade urbana e já agora, que seja exequível…

A tesoura de atarracar sugere ainda a todos os interessados, que visitem www.escritaleitura.blogspot.com, para que saibam o que as nossas crianças de 11 e 12 anos pensam sobre o futuro de Sesimbra…