Sendo a CMS o grande centro empregador deste concelho, a tesoura de atarracar decidiu fazer alguma pesquisa sobre quanto se ganha nesta instituição. Valerá a pena? Vejamos:
Há quem receba 450€, mais 4€ por dia útil de subsídio de refeição (porque ao fim de semana e férias, não se come). A estes, tira os descontos para o IRS e a ADSE (aos quais não pode fugir). Limpinhos, o que leva para casa, não chegam a 400€.
Muitos pensarão que este é o ordenado justo a atribuir à chamada “classe operária qualificada ou semi-qualificada” tipo: um calceteiro, um canalizador, um cantoneiro, um varejador, um limpa colectores, um electricista, um jardineiro, um pedreiro, um pintor, um “homem do lixo”, ou até mesmo, um coveiro. Afinal, formação académica não é necessária. Habilitações literárias, é o obrigatório.
A verdade é que todas estas profissões têm o seu quê. Nem todos sabem ser calceteiros ou canalizadores. Nem todos têm estômago para apanharem o nosso lixo.
Mas estes lugares, felizmente para nós, estão ocupados. Nunca deixou de se fazer um funeral por não haver coveiro. Nunca deixou de haver água por não existirem canalizadores para reparar as muitas rupturas. E este tipo de coisas, acontecem muitas vezes fora do chamado “horário laboral”.
O estranho disto tudo, ou talvez não, é que estas pessoas, com estas profissões, o máximo que conseguem ganhar, se chegarem ao topo da carreira, ao fim de 30 anos de serviço, são 700€.
Acima destes, temos a “classe operária altamente qualificada”. São os mecânicos, os serralheiros mecânicos, os impressores de artes gráficas, os soldadores, os electricistas de manutenção de equipamentos, … Começam com 630€ e o máximo que conseguirão, um dia alcançar, depois de uns 30 anos a trabalhar, são 950€ (claro que isto são valores ilíquidos).
Existem ainda os chamados “auxiliares”. Começam a receber 427€ e talvez um dia, recebam 964€ (ilíquidos). Cabem neste grupo motoristas, tractoristas, auxiliares administrativos e de serviços gerias, telefonistas e nadadores salvadores.
Esta muita gente que compõe os quadros de pessoal operário e auxiliar da CMS, tem chefias, também dos quadros, que começam nessa tarefa a receber 950€ e, no fim da carreira, conseguirão receber 1.150€ (ilíquidos). Claro que por esta altura, com este ordenado, já estão na idade da reforma.
Passemos agora àqueles que estão num grupo intermédio, de hipotética “maior responsabilidade” e com mais habilitações e formação… O grande grupo dos assistentes administrativos. Quando começam nas suas funções, recebem 663€. Se conseguirem lá chegar um dia, ao topo da carreira, quando tiverem 60 anos de idade, recebem 1.125€ (ilíquidos).
Também têm chefias, dos quadros. Recebem no inicio 1.125€. Com sorte, chegam aos 1.818€ (ilíquidos). Mas para isso não se podem reformar aos 65 anos.
Seguem-se os “técnicos-profissionais”, onde cabem aferidores, desenhadores, fiscais, medidores orçamentistas, todos os técnicos de acção social escolar, animação cultural e desportiva, arquivo, artes gráficas, biblioteca, turismo e topógrafos. Estas funções são exercidas por pessoal com cursos técnico-profissionais e começam também com 663€ mas, conseguem atingir ao fim de 20 anos, a custo, os 1.500€ (ilíquidos).
Depois, num patamar acima, vêm os informáticos. Aqui, é preciso saber… Começam com 623€ e se chegarem ao topo da carreira, já bem velhinhos, seguindo o exemplo do Fernando Pessa, atingem 3.000€.
Restam as carreiras dos “técnicos”. Neste “técnicos” entenda-se pessoal com habilitação académica igual a bacharelato, licenciatura, mestrados ou até, doutoramento. Estão neste grupo os engenheiros, arquitectos, arqueólogos, geógrafos, médicos e médicos veterinários, juristas, contabilistas, historiadores, psicólogos, sociólogos, … Começam com 740€ e se conseguirem, algum dia, chegar ao topo da carreira, receberão 3.000€ (ilíquidos). Claro que este grande grupo é o que “aguenta” menos tempo as mesmas pessoas. São raros os que se reformam da função pública. E mais raros os que conseguem chegar ao topo da carreira, com mais de 60 anos, e receber 3.000€.
Todos estes grandes grupos são os quadros das Câmaras. São grupos, compostos por muitas pessoas, dos mais diversos níveis sociais e até intelectuais. Com os seus pontos fortes e também, com os seus pontos fracos. Às vezes bem-dispostos. Outras vezes mal dispostos. Às vezes “energéticos”, outras vezes “paspalhões”.
Como qualquer outro empregado de outra empresa qualquer.
A tesoura de atarracar desafia todos os bloguistas a fazerem este ensaio, nas empresas onde trabalham. Verifiquem quanto ganha o maior “paspalhão” e o maior “energético”. Quanto ganha o empregado mais “reles” e quanto ganha o “patrão”. E já agora, em que grupo é que vocês próprios se inserem.
Depois ainda há aqueles que na empresa onde trabalham, têm direito a carro e telemóvel. A empresa ainda paga Km e gasolina. Paga almoços e jantares. E se por ventura tiver que pernoitar fora de casa, paga a estadia e a viagem, se for o caso, de avião. Ao fim do ano, têm prémios de desempenho e os lucros da empresa são divididos pelos empregados.
Mas estes casos não se aplicam à função pública e muito menos à CMS.
Resta falar naqueles trens-de-cozinha cheios de utensílios domésticos, (tipo tachos e tachinhos) que invadem a CMS de 4 em 4 anos. São os “grandes salvadores da pátria”, que chegam sem perceber nada de nada para mandar naqueles que exercem as suas funções há muitos anos.
É vê-los a receber entre 1.500€ a 3.000€ mensais. Acresce ainda uns almocinhos e telemóvel. Estes sim, são verdadeiros profissionais que sabem da matéria. Falta dizer que, muitos não vivem só do que a CMS lhes paga. Têm as suas profissões e os seus empregos. Aqui, é mesmo só o tacho.
Será fácil para um funcionário, que recebe 700€ e que trabalha na sua profissão há 20 anos, ensinar e prestar “vassalagem” a alguém que se pavoneia meia dúzia de dias por mês, larga uns bitates, escreve qualquer coisinha, participa numa reunião ou outra e no fim, leva no bolso, pelo menos 1.500€?
O povo quando vota, não elege estas “aves raras de arribação”. Mas estas, por serem raras, são protegidas. E nas zonas de caça estão em áreas de “reserva”, onde é proibido “caçá-las”…
A tesoura de atarracar volta a dizer: é preciso cuidado quando se diz que só entram familiares, amigos e pessoal com cunhas. Porque os que pertencem aos quadros, entram por concurso público.
Os outros, que recebem mais e provavelmente fazem menos, entram pelas mãos dos partidos que estão ou estiveram no poder. Estes sim, são só os camaradas, amigos e amigos dos amigos.
Falam das famílias, de familiares, de pessoas. Esquecem-se que todos os que são deste concelho, na sua grande maioria, tem ou tiveram (ou vão ter) alguém na família a trabalhar na Câmara.
E os que não têm, querem ter. E querem ter porquê? Quais são as benesses? Existem?
A tesoura de atarracar, não troca, não quer trocar, nem tem inveja daqueles que fazem carreira na função pública e na CMS.
Pensem bem. Lembrem-se que os funcionários públicos são os únicos que não conseguem fugir aos impostos. Tudo o que recebem, é declarado. Não recebem nada “por fora” ou “por baixo da mesa”.
Estavam bem arranjadas as nossas empresas de construção, a restauração, a pesca, a agricultura, o comércio local, … se tivessem que cumprir esta exigência que é de lei…