sexta-feira, 22 de maio de 2009

Querido mudei o Largo


A pretexto das obras no Posto de Turismo, decidiram mudar a cor do Largo.


Ao que a tesoura de atarracar apurou, a edilidade apostou mais uma vez na "prata da casa" para lhe dar uma nova imagem, renegando para segundo plano os tais "renomes internacionais".


A "prata da casa" surpreendeu pela não utilização da famosa pedra do Zambujal e pela não utilização da cor branca, que caracterizam a grande maioria das obras desenvolvidas pela edilidade no nosso concelho.


Desta vez, apostam na utilização de um "azul marinha" que, para o cidadão comum provoca um efeito "piscina de transbordo", quando sentado nas esplanadas dos restaurantes.


Agora sim, o Largo faz juz ao nome.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A sonhar...



A tesoura de atarracar, por artes mágicas, conseguiu entrar nos núcleos duros dos partidos candidatos, onde os estrategas debatem questões de fundo que os assolam neste momento.


Ali para os lados do Largo 2 de Abril, três estrategas dialogam:


- É pá, já viste os outros candidatos?
- ‘Tá ganho! ‘Tá ganho!
- Eu acho isto muito esquisito… o que é que andarão a tramar?
- Tens razão… darem-nos a vitória, de mão beijada, sem darem luta… é realmente estranho…
- Ó pá eles estão todos perdidos! Com o trabalho que está feito, não têm hipóteses!
- E em 2013? Eu cá acho que ‘tão a tramar qualquer coisa para nos lixarem em 2013…
- Estes 4 anos ainda vão ser melhores pá! 2013 vai ‘tar ganho!
- Não sei. Não sei. Tens a revisão do PDM que pode ser polémica…
- Pois é… isso pode lixar o partido e a nossa imagem…
- Os gajos são é muita espertos! Lançaram a isca e nós mordemos!
- Temos que pensar no futuro. Pensar numa estratégia…
- Ó camarada, podemos sempre atrasar o PDM mais 4 anos! E a Mata também!


Deste ambiente titubeante, a tesoura de atarracar rumou até Santana…


- Já viram o que dizem do nosso candidato?
- É pá não faz mal. Vamos aproveitar o que outros já fizeram com sucesso. Isto ‘tá tudo nos livros! Guardamos o líder ganhador, protegemos a sua equipa, e lançamos outro gajo prá fogueira, com outra equipa. Em 2013 ganhamos com maioria absoluta!
- Nos livros? Mas quais outros?
- Ó camarada, então em 95! O PSD lançou o Nogueira e protegeu o Cavaco. O Nogueira ninguém sabe dele e, o Cavaco, é o presidente da república! Tem prestigio e é respeitado pelo povo!
- É pá, tu tens a certeza que ‘tás no partido certo?
- O camarada tem razão! 95 é uma lição para todos mas, não podemos pensar que o nosso líder ganhador vai ficar á espera tanto tempo…
- O tempo é pouco. São só estes quatro anos, porque os gajos vão-se entalar todos com a revisão do PDM! Para já não falar da Mata!
- Mas podemos deixar de ser a segunda força política do concelho…
- É pá podes perder as eleições mas com os assessores socialistas que vão estar na autarquia, continuamos em maioria absoluta!
- E se as coisas correrem pior do que estamos à espera, podemos sempre coligarmo-nos com o movimento…
- Mas aí vais ter que ceder pá! Vais ter que fazer o que o gajo quiser!
- É pá se isso nos garantir maior representatividade, dizemos que sim!
- E depois de lá estarmos, revêem-se os critérios da coligação…



Com este jogo coligativo e esta maioria assessorial, a tesoura de atarracar foi ver o que se delineava ali por cima do fradique…


- Não temos que nos preocupar. Com os nossos militantes e simpatizantes, que nos são fieis, já estamos lá dentro.
- Então e mais um?
- É pá, com o desaire socialista, se calhar, com pouco esforço, passamos a ser a segunda força do concelho, e metemos mais um.
- Temos é que ver como é que vai ser isso de ter mais um… porque os tempos inteiros com os períodos de caça… e pesca… não sei…
- É pá isso resolve-se. Conseguirmos mais um era muito bom!
- Temos é que usar a Mata e o facto deles não terem participado na aprovação, numa atitude quase pônciosa.
- Pois, descartaram-se de qualquer responsabilidade. Foram foi espertos!
- Se correr mal, vão gritar “nós é que tínhamos razão”!
- Se correr bem, dirão “o nosso voto não era importante porque a Mata era aprovada na mesma mas, todos sabem que o processo foi liderado por nós”!
- Que grandes sacanas pá!



A coisa era mais profunda, ali no topo da rua do saco…


- Então quem é que vai ser o nosso candidato?
- Não sei. Tem que ser alguém diferente mas comum.
- Um gajo novo?
- Um gay?
- Boa! E que queira casar!
- Não não. Um gajo mais velho, mais do povo…
- Achas?
- E se fosse uma mulher?
- Uma mulher?
- Sim. Aquela tua amiga…?
- Não não. Uma mulher parece-me bem apostado, mas essa gaja não.
- Sesimbra precisa de mudança, de alguém que fale outra língua, que se preocupe com outras coisas.
- Ok, ok.
- E se fosse uma mulher negra?
- E com conhecimentos sobre o consumo de drogas leves?
- E sindicalista?
- E ambientalista?
- Mas quem?
- A candidata ideal não existe. Nem para nós, nem para os nossos camaradas nacionais…
- É pá temos que tentar!
- E até lá?
- Temos tempo. Até Outubro temos tempo.
- E o que é que dizemos?
- Nada. Mantemos o silêncio.



Algures numa casa construída “à margem da lei”, os pioneiros discutem:


- Mas quem é que manda? Quem é que manda aqui? Já chega de palhaçada. Agora vai ser tudo feito. Tudo o que não me deixaram fazer, vai ser feito agora!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …


- A primeira coisa a mudar é a sede de concelho! Porque a vila do concelho é esta! Onde é que há pessoas? Onde é que é o maior número de habitantes? Onde é que este concelho cresceu e se desenvolveu? A sede do concelho vai ser aqui. Num prédio da Av. Principal!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …


- E o hospital? O hospital vem mas é prá qui!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …


- É tudo para Sesimbra? E aquela marginal? O que é que interessa aquilo? Quem é de que nós já lá foi? Ninguém! Ninguém! A marginal do concelho vai ser aqui, ao longo da ribeira de Coina, com qualidade e classe!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …


- E o Meco? Obras no Meco? E o que é que interessa o Meco? Quem é que lá mora? Aqui é que tem de se fazer as obras. Aqui onde vivem pessoas! Onde vivemos nós! Viva os pioneiros!


- VIVA!


- Viva os pioneiros!


- VIVA!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …


- E os traidores que nem pensem em coligações! Porque nós sozinhos, com todos os votos dos pioneiros, ganhamos a Câmara! Porque as outras freguesias vão distribuir os votos pelos outros. Nessas, nós não ganhamos nada. Mas aqui, nós todos, os nossos votos todos, somos muitos mais!


… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …

(alguns aplaudem de pé)
… palmas, palmas, palmas, palmas, palmas, …



Fez-se silêncio. Ao longe começou-se a ouvir um som agudo contínuo… O relógio marcava seis e meia da manhã…





segunda-feira, 13 de abril de 2009

Vamos ao Circo!



Levantado que está o véu sobre os novos candidatos ao poder autárquico, a tesoura de atarracar decide iniciar um conjunto de posts sobre as diferentes candidaturas.



Começando pelo panorama de candidatos já apresentados para encabeçar as listas que darão acesso a um lugar de vereador e, a apenas um dos propostos, ao lugar de presidente, têm-se:



CDU

Sem novidades. A CDU parece acreditar na velha máxima de que “em equipa vencedora não se mexe”. Estranho seria não ser este o candidato.



PS

Onde estão os “pesos pesados”? Parece que o PS parte para o jogo derrotado, numa estratégia de deixar jogar quem nunca jogou e que, noutro cenário, nunca jogaria. O candidato, conhecido para alguns, desconhecido para a maioria, carrega o fardo de um hipotético “testa de ferro” que o PS parece precisar para que outros ilustres (socialistas) se mantenham à tona de água. Sem queimarem a imagem do (como alguém já disse) “messias do concelho que virá salvar os destinos de Sesimbra”…



PSD

O que dizer? O PSD parece apostar na continuidade. Apresenta um candidato que nada terá de provar, bastando-lhe aparecer e fazer o que têm feito durante os últimos anos…



BE

Onde anda? Existirão ao que parece, algumas dúvidas no BE sobre quem será o candidato… É que quando a fasquia fica alta e se transforma um partido num conjunto de teorias, filosofias e utopias que resultam teoricamente, é difícil apresentar um candidato que as ponha em prática.



MCPS

O que dizer de um movimento cívico popular, que se candidata com o dinamizador do mesmo? Parece que o MCPS acredita na vitória ou, num lugar de vereador, uma vez que os militantes e simpatizantes socialistas irão ficar divididos… e já se sabe que a Quinta do Conde pode resolver os resultados eleitorais…




Com esta panóplia de nomes, caberá ao cidadão comum eleitor deste concelho, decidir quem ocupará o lugar maior e quem, irá compor o resto da sala.




Darão os pexitos e pexitas mais 4 anos a um regime comunista? Acreditarão num candidato pexito, que toma decisões e apresenta propostas, para que todos os outros, que nada propõem, possam discutir e apresentar alternativas que acreditam ser sempre melhores?




Darão os pexitos e pexitas 4 anos a um regime socialista que abandonou a assembleia municipal, negando-se a participar na discussão e a votar um dos documentos mais importantes do concelho? Acreditarão num candidato “metido a martelo”, que abandona salas onde se discutem temas importantes, qual “pau mandado”?




Darão os pexitos e pexitas 4 anos a um regime social-democrata, colado aos comunistas? Acreditarão num candidato que nem precisa de abrir a boca para dizer coisa nenhuma?




Darão os pexitos e pexitas 4 anos a um regime de esquerda que não é comunista nem socialista? Acreditarão num candidato (até agora) invisível, que venha a delinear uma estratégia política e a pôr em prática as teorias que irão tirar Sesimbra do buraco e pô-la no topo do mundo?




Darão os pexitos e pexitas 4 anos a um movimento que terá como base ideológica o regime socialista? Acreditarão num candidato com garra, que grita por um objectivo que poucos entendem, de punho fechado no ar, como verdadeiro pioneiro quinta-condense?




Resta-nos aguardar pela votação do povo eleitor do concelho, no momento certo.


Agora, é arranjar o melhor lugar porque o circo vai começar.


Cabe-nos a nós, cidadãos comuns eleitores do concelho, distingui-los uns dos outros e metê-los nos números certos.


Porque o rei da selva não faz trapezismo. Assim como o palhaço não faz ilusionismo… Sabendo-se também que, no circo, não existem números de homens invisíveis…





terça-feira, 31 de março de 2009

Excepção à regra...


A tesoura de atarracar tem tido como hábito analisar, ler, comentar, os vários regulamentos que a edilidade tem aprovado nos últimos tempos, tendo como objectivo trazer para o domínio público do cidadão comum documentos que, por norma, apenas são discutidos e analisados nas esferas político/partidárias.

Na habitual visita à página oficial da edilidade, a tesoura de atarracar tomou conhecimento que a Câmara (e segundo apurou, também a Assembleia Municipal), já aprovaram um novo regulamento para o concelho, ou melhor, para os clandestinos, que se chama “Regulamento de Manutenção de Construções”.

Mas então este novo regulamento não tem, como todos os outros, um período de discussão pública? Onde o cidadão comum pode participar, opinar, propor, perguntar, …?

Qual é a pressa? Ou melhor, a pressão? Será comunista? Ou será antes, socialista? Ou tratar-se-á da pressão de uma coligação socialista/comunista?

Vem este regulamento resolver algum problema aos naturais do concelho? Não. Porque os naturais do concelho não são clandestinos, não compraram avos, nem construíram ilegalmente à espera de regalias fiscais e sociais.

Vem este regulamento resolver algum problema aos eleitores do concelho? Não. A grande maioria dos clandestinos é eleitora noutros concelhos. Os poucos clandestinos eleitores não influenciam os destinos políticos/partidários dos candidatos, assessores, tachos e tachinhos.

Então? A pressão será dos amigos? Ou será de familiares? Ou será de outros com algum interesse na matéria?

Pelo que é publicado na página oficial da edilidade, parece que vai ser possível "assegurar a manutenção de habitações construídas à margem da lei".

Então não deveria o regulamento chamar-se: “Regulamento para confirmar a velha máxima «o crime compensa» ”?

Ou seja, um clandestino compra uns avozitos por tuta e meia. Constrói ilegalmente, a seu belo prazer, sem dar cavaco a ninguém, sem cumprir coisa nenhuma e sem pagar impostos sobre nada.

Passados alguns anos, a edilidade arranja um “regime de excepção” para manter estas casas que nada respeitaram e que ainda não respeitam.

O clandestino, coitadinho, que apostou no cavalo certo, consegue agora vender os seus avozitos e até, apresentar uma licença de utilização na escritura, de uma habitação construída à margem da lei. O investimento tardou mas, arrecadou. O que valia 3.000€, agora vale 150.000€. Sem caroço. E porque, coitadinho, é clandestino, ainda beneficiou das excepções do regulamento de taxas e licenças…

Apesar disto, e porque cada caso é um caso, existirão clandestinos no concelho que não apostaram em cavalo nenhum e, o que têm é o que se vê.

A tesoura de atarracar espera que este regulamento tenha uma forma de garantir um tratamento justo e equilibrado, que saiba distinguir o trigo do joio e que sejam, efectivamente e, apenas e só, "os moradores" (entenda-se contribuintes e eleitores do concelho) "desprovidos de recursos" (que podem ser comprovados através da declaração de IRS ou, do vencimento mensal ou pensão) "e impossibilitados de recorrer ao crédito" (por idade avançada, ou por rendimentos baixos que não suportam uma prestação), a beneficiar deste novo “regime de excepção”.

Esperemos pois que, apesar de ser um “regime de excepção”, este novo regulamento imponha algumas regras, que se traduzam em excepção às regras do regime de excepção…

A tesoura de atarracar desconhece o teor deste novo regulamento e anseia que o mesmo seja tornado público, para que se dissipem todas as dúvidas que neste momento a invadem.

Aos naturais da terra, que só querem construir a sua casinha, já sabem: não há excepção à regra nem regimes excepcionais…

Talvez o novo regulamento nos brinde com algumas frases deliciosas e valiosíssimas do tipo:

“São direitos do clandestino, que não é natural, nem morador, nem trabalhador, nem eleitor deste concelho, ser tratado num regime de excepção, com respeito e urbanidade pelos partidos, políticos, assessores, tachos e tachinhos do município.”


domingo, 29 de março de 2009

Ao lado do Conceição


Tem sido bonito de ver, o burgo voltar a ter fins-de-semana soalheiros, com restaurantes cheios e gentes a magote, que passeiam, avenida abaixo, avenida acima, desfilando orgulhosamente pela nova marginal nascente, e pela velha marginal poente.

Porque a época não está para gastos, muitos visitam o burgo apenas para se passearem na enorme passerelle, marginal ao mar.

É vê-los, “os de fora” mais encalorados, em calções e t-shirts, desejosos de entrar na água demasiadamente fria.

“Os da terra” trazem as mulheres para este “passeio dos tristes”. Eles vestem uma roupinha de fim-de-semana de marca e uns sapatinhos bem engraxados. Elas aproveitam a deixa e arranjam os cabelos, maquilham-se, vestem um vestido provocador, uns belos sapatos altos e estão prontas.

Depois, de mãos dadas como se estivessem perdidamente apaixonados e, sem trocarem uma palavra, caminham desde a Califórnia ao Monumento aos Pescadores.

Atravessam a Rua de Fortaleza, cheia de carros, e que ninguém percebe porque é que não aproveitaram as obras e transformaram aquela via num percurso pedonal e, chegam ao velhinho Largo da Marinha e ao inicio da outra marginal…

Já cansados, acabam por se sentar no velho muro da praia, de costas para o mar… a ver quem passa. Sim, porque a coisa está preta e olhar para as coisas, ainda é de borla…

Também a tesoura de atarracar, e talvez há falta de melhor, tem feito o “passeio dos tristes”… observando os lindos prédios que marginam a marginal, na sua linda cor-castanha-de-caca, desde o X-UP até ao Hotel do Mar…

Porque a idade já vai pesando, também a tesoura de atarracar se senta no muro, de costas para o mar… a ver mais uma grande obra que vai crescendo entalada entre o Hotel e o Bar Inglês…

A tesoura de atarracar anseia por ver o novo prédio a crescer e a tomar forma… e a dignificar aquele remate entre um prédio velho e uma obra de arquitectura exemplar…

Mas porque conforme já foi referido noutros post’s da tesoura de atarracar, todos sabemos e percebemos mais e muito melhor de urbanismo do que aqueles que têm a habilitação, capacidade e criatividade para propor, esperemos que depois de estar construído não apareçam vozes contra, providências cautelares, queixas à Judite, and so on, and so on, and so on…

Para já não falar que a culpa será sempre da autarquia, por aprovar um projecto com base no PDM e não, uma “coisa” que se coadunasse melhor com Sesimbra.

Aguardemos…

sábado, 21 de fevereiro de 2009

3 dias de folia


Com o país em recessão, com a gasolina que não desce como gostaríamos, com o aumento do pão, do gás, da luz, da água, com as taxas de esgoto, com as “facadas de verão”, com a falta de estacionamento, com as obras do burgo, com a chuva o vento e o frio que não nos deixa pescar, com os comerciantes sempre a dizer que “isto tá mau”, com as casas que não se vendem, com o Mantorras que não joga, com a luta de tachos e tachinhos, com a pré-pré campanha eleitoral, com as cunhas, com os subsídios, com a má criação das pessoas, com a falta de respeito pelos outros, com o constante apertar de cinto, com as noticias de desgraças que acontecem pelo mundo e que nos invadem a casa à hora da refeição, com a visita do presidente da república à Quinta do Conde – sem passar pelo burgo, com o Benfica que não é campeão, … está aí o Carnaval!

Deixem de ser má línguas. Deixem de dizer mal só por dizer.

Deixem-nos a nós, mulheres, sair à rua quase nuas para desfilarmos orgulhosamente e mostrarmos as nossas banhas, estrias e varizes.

Deixem-nos a nós, homens, aparecermos em todos os bailes e desfiles com os nossos pêlos do peito cheios de brilhantes, os nossos grandes bigodes, pêlos nas pernas e nos sovacos, dando largas à nossa vontade de por apenas três dias conseguirmos ser “coelhinhas”, “enfermeiras” ou “marafonas”.

Deixem-nos por um dia desfilar, verdadeiramente, como palhaços. Não é isso que somos o ano inteiro? Palhaços que nos deixamos “ingenuamente” manipular por estes gajos que nos governam e que nos tratam como “bobos da corte”?

Pexitos e pexitas saiam para a rua! Gritem, dancem, riam. Divirtam-se uns com os outros.

Deixem-nos esquecer.

Os outros, os que não são “ingénuos”, nem “bobos da corte”, nem “palhaços”, fiquem com a vossa elitezinha, na vossa ágora e, à falta de melhor que vos ocupe a mente, digam mal de nós, de todos nós. Afinal como alguém disse “mentes grandes discutem ideias, mentes medianas discutem eventos, mentes pequenas discutem pessoas…”

Encham jornais e blogues com aquilo que de pior conseguirem falar de nós – pessoas. E se não souberem nada incrível, inventem. Afinal não é isso que caracteriza o burgo? Fala-se de tudo e de todos e quando não se sabe, inventa-se.

Ou então, façam como os cobardes que, para não serem vistos e verem tudo e todos, cobrem-se dos pés à cabeça, calçam luvas e usam mascarilhas e, são sempre mudos! Não vá alguém conhecer a voz…

Ou então, façam como os sábios iluminados, que com os seus ares superiores dizem não gostar do carnaval e preferem aproveitar a ponte do fim-de-semana para apanhar sol… em Ovar ou Loulé…

Depois ainda temos os outros, mais aficionados ao “verdadeiro carnaval”. Gostam de um desfile a sério, com a bela mulata nua a sambar sambódromo abaixo. “É isso aí, levanta o pé do chão! É isso qui meu povo gosta, né?” Alguns até pagam para poder desfilar ao lado da mulata…

Depois, a “nata da nata”, mais erudita, prefere um carnaval de luxo, sem batucada, num cenário edílico, com frio, com chuva, perto de são marcos…

Carnaval em Portugal? Carnaval em Sesimbra? Nem pensar. Quem é que se terá lembrado disto?

Carnaval, carnaval, a ser, é na Madeira. Aí sim. Em tempo de recessão, nada melhor do que foliar num paraíso fiscal…

Pexitos e pexitas divirtam-se! Mandem tudo para trás das costas. Soltem-se. Afinal é Carnaval e ninguém leva a mal.

Lembrem-se que “vozes de burros não chegam ao céu”.

Sejam felizes!
Bom Carnaval!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

6 tipos


Parece que terminaram, para já, as grandes obras de conservação e recuperação do chamado centro histórico do burgo. Para além de outros pontos comuns, constata-se que todos os projectos contemplaram a plantação de mais árvores em todos os espaços públicos.

Mas o curioso foi ver, num largo onde não houve obra, o desaparecimento de uma árvore centenária. Será que ninguém reparou que a grande palmeira do largo da marinha, entalada entre o “rodízio” e o “filipe”, desapareceu? A verdade é que esta palmeira provocaria algum incómodo na arrumação das esplanadas, pelo que o melhor terá sido abatê-la… sem dar nas vistas… porque o importante é o espaço público, as esplanadas e a qualidade do serviço ao cliente…

As esplanadas…

A tesoura de atarracar considera importante relembrar a todos que, uma esplanada, é um espaço ao ar livre – tipo um terraço – onde se dispõem mesas e cadeiras para tomar uma bebida ou uma refeição. Podem ainda ter zonas de ensombramento, produzido pelas copas das árvores ou por chapéus-de-sol. Às vezes, por serem pequenas, as esplanadas podem ainda dispor de um pequeno toldo de ensombramento, acoplado ao edifício, que é desenrolado ou enrolado conforme a necessidade de sombra. Por norma, as zonas de esplanada, em dias chuvosos e de vento, não existem. São sempre estruturas amovíveis ou seja, são transitórias, podem ser removidas a qualquer momento, não vá vir uma trovoada repentina.

Claro que este conceito de esplanada é para alguns sítios de Portugal e do mundo, e não se aplica a zonas como Sesimbra. Aliás, Sesimbra enriqueceu o dicionário da língua portuguesa com um novo conjunto de conceitos de esplanada:

Existem pelo menos, seis tipos de esplanada:

A tenda – tipo de esplanada utilizada em casamentos (e que a edilidade já adoptou para a organização de eventos tipo “feira do livro”), composta por uma estrutura em aço (que dizem ser amovível) e telas transparentes, com janelas ou janelinhas e uma ou várias portas de entrada/saída. É a esplanada ideal para o restaurante que quer uma segunda sala de refeições. Se o calor apertar, é possível enrolar as laterais, para correr uma aragem (como fazem os campistas nos seus avançados de roullotes).

O aquário – tipo de esplanada que começa a ganhar adeptos, pela qualidade de materiais e redução dos custos de manutenção. É composta por estrutura em ferro e vidro, e é a ideal para o chamado “restaurante de qualidade”, onde os clientes são tratados como verdadeiros lords, já que a estrutura permite a existência de ar condicionado, tv, música ambiente,… como tem ar condicionado, o problema do calor não se põe… mas para os clientes mais exigentes que gostam de apanhar uma aragenzita nas noites quentes de Agosto, há janelas que se podem abrir, ao gosto do freguês.

A casa – tipo de esplanada construído sobre uma placa de betão, composto por uma estrutura de madeira (para dar um ar rústico amovível) e painéis em vidro. Lá dentro e por ser uma casa (em espaço público), as condições são excepcionais: o chão é em madeira, as paredes têm fotografias, tem tv, ar condicionado, zona de balcão, arcas frigoríficas, zona de preparação de alimentos, louceiro e claro, mesas e cadeiras para o cliente se sentar. É o tipo de esplanada para o comerciante que quer meter o rossio na rua de betesga, isto é, como o espaço comercial que adquiriu é diminuto, há que ocupar, mesmo nas nossas barbas, o espaço que é de todos com uma “estrutura amovível” de classe.

O toldolaterais – tipo de esplanada que permite o encerramento temporário do espaço público, em dias de chuva e vento. É o tipo de esplanada preferido pelos comerciantes que já não estão para se chatear muito. Têm uma boa sala de refeições e o cliente que quer ficar na esplanada em dias de chuva, até acha graça aos pingos que vão caindo e ao barulho do vento nas laterais.

A caixa – tipo de esplanada composta por chapas de aço e estores metálicos com cadeado, geralmente pintada de branco. Aqui não há ar que entre. O cliente sente-se enclausurado, asfixiado mas, não sente ventos nem chuvas. É o tipo de esplanadas utilizados pelos comerciantes que apostam na segurança dos clientes.

Depois, há os palermas dos restantes comerciantes que continuam a montar e desmontar as suas esplanadas diariamente: põem as mesas, as cadeiras e os chapéus-de-sol. Se vier vento, arrumam tudo. Se chover, arrumam tudo. Se o dia estiver bom, quando fecham, empilham tudo dentro da sala do restaurante ou então, empilham tudo num cantinho com uma corrente e cadeados.

Será que ninguém ainda viu o arraial da praça da califórnia? Será que ninguém viu ainda a rebaldaria do largo da marinha?

A tesoura de atarracar atreve-se a lançar um desafio: já que os eleitos pelo povo e os funcionários da autarquia não conseguem ordenar este desordenamento, não haverá nenhum assessor ou assessores, ou tacho ou tachinhos, que ponha ou ponham, cobro nisto?

A tesoura de atarracar, sugere à edilidade que disponibilize o autocarro para que os seus assessores, tachos, tachinhos e afins, façam uma visita de estudo a algo verdadeiramente inovador e de qualidade duvidosa, de um extremo mau gosto e que ainda não chegou às esplanadas pexitas mas que já existe nalguns dos concelhos limítrofes: “coberturas telescópicas”. São aquelas estruturas que servem para cobrir as piscinas e que transformam o espaço público num amontoado de alumínio termolacado, com módulos transparentes, que vão ficando embaciados com o calor dos corpos e com os bafos da respiração dos clientes, que transformam o almoço numa experiência nova inesquecível, onde se perde a noção do tempo real. Ninguém sabe se chove ou se está sol. Quando se tenta ver a rua, é um nevoeiro cerrado com pequenas gotículas que escorrem pela estrutura, directamente sobre as nossas cabeças e pratos…

Aqui está uma ideia digna de um qualquer tacho ou tachinho e que impulsionaria Sesimbra para um novo conceito de apropriação do espaço público, que fomentaria sem qualquer dúvida o tal “turismo de qualidade”...

Já imaginaram o que seria a zona ribeirinha da expo, se de inverno, os restaurantes montassem tendas nas suas esplanadas?

Mas será que ninguém tem coragem de fazer frente aos comerciantes? Mas são eles que mandam no espaço público? Ou a edilidade está tão desesperada por receber dinheiro que, uma tendazinha aqui ou um aquáriozinho ali, significa mais receita?

Não seria mais fácil elaborar uma solução conjunta, com o mesmo tipo de materiais, para esplanadas em espaços ao ar livre, onde existiriam mesas e cadeiras para tomar uma bebida ou uma refeição, com zonas de ensombramento dignas e apelativas? Haverá apenas que fazer regras para uma ocupação de espaço público que hoje, não tem regras. Aos comerciantes, para quem está sempre “mau”, cabe-lhes apostar numa solução de qualidade que dignifique em primeiro lugar, o restaurante, o espaço público, a envolvente urbana, a rua e Sesimbra.

Qual será a posição dos ilustres politico-candidatos para resolver esta anarquia? Lá vamos nós ouvir ou ler, mais uma frase feita ou conversa de algibeira, do género:
“Sesimbra tem que pensar num turismo aliado às suas tradições, onde o comércio local, nomeadamente os restaurantes, desempenhem um papel preponderante como animador e potenciador do espaço público. As esplanadas localizadas no centro da vila merecem uma maior atenção que satisfaça o interesse de todas as partes”.

E para terminar: será algum anónimo capaz de classificar a esplanada do sr. do restaurante que ganha dinheiro para ler blogs?