“Entrevista com João Capitulo”.
O turismo está mesmo na ordem do dia. Temos o Sr. João Capitulo a falar, pela primeira vez em 1976, em turismo para Sesimbra. Passados 32 anos, continua a achar “que há que pensar o turismo aliado à pesca e às nossas tradições”.
Pois é. Mas há que fazer mais do que apenas pensar. Porque pensar, todos pensamos.
Mas como é que isso se faz? Há que também, apresentar propostas.
A tesoura de atarracar não percebe (talvez por não conseguir descodificar as frases politicas bonitas que enchem as salas), depois de muitos, terem vendido os seus terrenos e as suas casas para que outros promovessem a especulação imobiliária, como é que seria possível hoje, fazer com que as habitações existentes no burgo, fossem habitadas por famílias de pescadores e/ou pessoas que trabalham nas indústrias do pescado.
Nos dias de hoje, esse cenário é impossível. Ou, a ser possível, passaria pela expropriação das casas fechadas (de férias) e, pela oferta destas às famílias de pescadores. Será que é isto?
A tesoura de atarracar explica: hoje, o que é possível fazer (à semelhança de outras autarquias deste país), é obrigar a que os edifícios devolutos, velhos e fechados, sejam recuperados e alugados (com rendas pagáveis) a jovens que queiram continuar na freguesia e dar-lhe vida.
Basta que quem decide se esqueça dos familiares, dos amigos, dos conhecidos, dos herdeiros, … e imponha essa solução.
Nas novas construções que vierem a ser feitas no burgo, a autarquia só tem que prever na Revisão do PDM que, uma percentagem dos fogos seja obrigatoriamente para arrendamento à população radicada, com rendas favoráveis à instalação de famílias.
Isto sim, não é vago nem bonito. É duro e frio mas, exequível. E aí, a freguesia de Santiago deixará, aos poucos, de sofrer da desertificação que hoje a atinge.
Sobre a construção no concelho e a revisão do PDM, é fácil mais uma vez, dizer coisas bonitas e que sabemos que todos querem ouvir.
A tesoura de atarracar, em anteriores posts, já explicou que:
Em nenhuma parte deste país, com um PDM em vigor, é possível travar um projecto ou uma urbanização que cumpra os parâmetros urbanos.
A tesoura de atarracar explica mais uma vez que:
Se alguém tem um terreno onde pode fazer 50 casas, não faz só duas. Todos sem excepção, querem fazer o máximo a que têm direito e, reivindicam sempre, por mais. Nunca por menos.
Nos dias de hoje, neste concelho e nos outros, ninguém consegue dizer não a determinado projecto, que cumpra a lei, só porque acha que o projecto possui demasiada construção.
Porque como diz o nosso Jorge Sampaio, “a lei não são meras sugestões” que cada um gere a seu belo prazer.
Também em anterior post a tesoura de atarracar já explicou que quem define o uso do solo é o governo. Não são os partidos e políticos concelhios, não são as câmaras e muito menos, os proprietários.
Se assim fosse, dificilmente existiriam áreas denominadas como REN, RAN, naturais, ecológicas, de equipamentos, de zonas verdes, etc, etc, etc.
Esperemos pela revisão do PDM e aguardemos por aquilo que os proprietários irão reivindicar para os seus terrenos: se mais possibilidade construtiva ou se menos. E aqui, a tesoura de atarracar aconselha a edilidade a tornar públicas essas pretensões.
Talvez reflictam a vontade e a consciência de muitos proprietários, e alguns com responsabilidades.
E depois, aguardaremos pela coragem política de dizer “não”, aos familiares, amigos e conhecidos que querem mais possibilidade construtiva nos seus terrenos.
Sobre a mata de Sesimbra ser “um projecto puro de especulação imobiliária”, a tesoura de atarracar pergunta:
Então mas não são todos os projectos de maior dimensão e todos os grandes loteamentos que invadem o concelho?
Ou serão apenas projectos e loteamentos que cumprem o máximo que o PDM permite?
Qualquer obra é sempre um investimento financeiro que pode correr mal. Esperemos que não seja o caso e que, o conjunto de entidades que se pronunciaram sobre a mata, não se tenham todas, enganado.
A tesoura de atarracar não acredita que o conjunto de técnicos que se pronunciaram sobre a mata de Sesimbra, nomeadamente das entidades que representam o estado (CCDR, DGOT, ICN, …) se tenham enganado quanto ao cumprimento do PDM em vigor e, das normas urbanas aplicáveis.
Mal estaria Sesimbra, o distrito e o país.
Se “fosse presidente ou vereador… não ia pôr tudo em causa” mas defende para a mata uma “coisa que se coadune com Sesimbra”.
Uma “coisa”? O que é que isto quer dizer? Será um novo projecto? Um novo plano? Um novo modelo urbanístico? Um novo conceito? Uma nova abordagem?
Mas onde anda essa “coisa” alternativa ao que nós conhecemos?
A tesoura de atarracar ensina mais uma vez, um conceito básico: não existem projectos perfeitos. Há sempre várias soluções para a mesma “coisa”. Mas quando só aparece uma solução, não podemos esperar eternamente por outra “coisa” melhor.
Para isso já tivemos aquela velhinha história popular em que dizem que o Bocage andou toda a vida com um grande pano de fazenda às costas e quando lhe perguntavam para que era aquela fazenda ele respondia: já encontrei a fazenda perfeita, agora resta-me encontrar o modelo perfeito de casaco e mandar fazer, com ela, um igual. Morreu e nunca fez o casaco.
Deixemo-nos de utopias. E como a tesoura de atarracar já referiu, todos sabemos e percebemos mais e muito melhor de urbanismo do que aqueles que têm a habilitação, capacidade e criatividade para propor. Por isso, que saiam dos armários as “coisas” que são melhores e que se coadunam com Sesimbra.
Por fim a tesoura de atarracar não percebe porque é que é mau ter de sair do burgo e vir trabalhar para a freguesia do Castelo. Ou será que Sesimbra é só o burgo? Estaremos bem entregues a um possível candidato que faz esta diferenciação elitista…
“Aposto na recuperação urbana dos centros históricos (…)”.
A tesoura de atarracar também mas, desta vez, não ensina como é que é possível fazer isso, porque o post já vai longo e afinal, como alguém já disse: “a tesourinha é um bloguer disfarçado de político” e cabe aos políticos, de vez em quando, apresentarem também eles propostas. Mesmo que lhes chamem “coisa”.
“(…) mas não na criação de desertos urbanos”.
Um grande final merece sempre uma grande “coisa”.
Aguardemos…